Pacientes internados no Hospital Central do Lubango devolvidos ao seio familiar se não apresentarem melhorias em 15 dias, denunciam familiares
Profissionais do Hospital Central do Lubango, na província da Huíla, estão a dar alta a pacientes internados, mesmo sem apresentarem melhorias significativas.
Por: Laurentino Tchatuvela (Huíla)
A denúncia foi apresentada ao Na Mira do Crime por familiares que tiveram pacientes internados naquela unidade hospitalar, e que foram devolvidos em estado crítico ao seio familiar.
Segundo os denunciantes, esta prática tem sido recorrente e muitos pacientes que se encontram em estado grave são remetidos para casa sem explicações adequadas.
António André, um dos denunciantes, afirma que alguns pacientes são devolvidos sem qualquer justificativa médica clara, deixando as famílias em situação de desespero.
Além disso, há relatos de que, quando o hospital não consegue diagnosticar uma doença, os pacientes são simplesmente mandados para casa.
Muitos desses doentes, segundo António André, acabam por falecer em casa sem receber o devido acompanhamento médico.
André disse que, há poucos dias, os profissionais de saúde tentaram dar alta ao seu tio, internado no sexto piso do Hospital Central do Lubango, Dr. António Agostinho Neto.
Diante da gravidade do quadro clínico, ele teve que reclamar. Após conversar com uma médica, conseguiu impedir a alta prematura.
A médica, cujo nome não foi revelado, teria afirmado que os pacientes podem permanecer internados por até 15 dias.
Se não apresentarem melhorias nesse período, são obrigatoriamente enviados para casa.
Diante dessa regra, António André teme que o seu familiar seja devolvido em breve, pois já está internado há 12 dias.
Outro caso foi revelado ao Na Mira do Crime por um cidadão identificado como Malaquias.
Ele afirmou que o seu primo, vindo do município da Matala, foi internado no hospital central do Lubango, mas, em menos de uma hora, foi mandado para casa sem qualquer esclarecimento médico à família.
Mesmo em estado crítico, o paciente não recebeu assistência médica e precisou ser encaminhado a uma clínica particular.
Posicionamento da diretora do hospital central do Lubango
Ao ser contactada pelo Na Mira do Crime, a diretora do Hospital Central do Lubango, Lina Antunes, reagiu com ‘hostilidade’, chegando a intimidar o repórter por via telefónica, quando pretendia apenas apurar os factos.
Lina Antunes usou palavras ofensivas e ameaçou processar o jornal caso o assunto fosse exposto.
Há informações de que a directora impede órgãos de comunicação social reportarem acontecimentos dentro da unidade hospitalar, apesar de o governador provincial da Huíla, Nuno Mahapi Dala, ter declarado recentemente num encontro com os jornalistas que os administradores municipais e outros servidores públicos "devem prestar esclarecimentos à imprensa sem interferências".
Sobre as denúncias, Lina Antunes argumentou que a alta médica é uma decisão técnica tomada por uma equipa de profissionais.
Segundo ela, "os médicos não trabalham sozinhos, há supervisão de profissionais seniores, e há critérios médicos para conceder alta".
Ela também criticou a cobertura jornalística do caso, afirmando que o repórteres que pretendem investigar "não têm conhecimentos técnicos nem autoridade para questionar decisões médicas".
Além disso, mencionou que questões sociais dos pacientes não são responsabilidade do hospital, mas sim do Ministério da Acção Social.
A directora reforçou que a medicina exige anos de formação e que contestar critérios médicos sem conhecimento técnico, seria o equivalente a questionar decisões judiciais sem ser juiz.
Segundo ela, divulgar esse tipo de matéria pode levar a processos judiciais.
‘Omissão’ de informações?
Nos bastidores, há relatos de que Lina Antunes estará a esconder informações importantes sobre o (mau) funcionamento do hospital, razão pela qual tenta intimidar jornalistas e dificultar o acesso da imprensa à unidade hospitalar.







