Enquanto Manuel Vicente continua foragido no exterior: Generais "Kopelipa" e "Dino" sentam-se no banco dos réus na próxima semana
Acusados pelos crimes de peculato, branqueamento de capitais e não só, os generais Manuel Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa” e Leopoldino Fragoso do Nascimento “Dino”, vão sentar-se no banco dos réus do Tribunal Supremo (TS), a partir de segunda-feira, 10 de Março.
Por: Telson Mateus
Os dois antigos homens de confiança do falecido Presidente da República, José Eduardo dos Santos (JES), começam a ser julgados no próximo, três dias depois da abertura do ano judicial 2025, que acontece hoje, sexta-feira, na província do Uíge.
Manuel Hélder Vieira Dias Júnior e Leopoldino Fragoso do Nascimento, segundo avançou o Novo Jornal esta semana, serão os primeiros arguidos que o TS vai julgar neste ano de 2025.
Para além destes dois antigos homens de confiança de JES, que faleceu em Barcelona, Espanha, em Julho de 2022, o Ministério Público (MP) arrolou no mesmo processo, as empresas China international Found (CIF), Plansmart International Limited e Utter Right International Limited.
O julgamento estava inicialmente marcado para Dezembro do ano, altura em que foi adiado pelo facto do processo ser complexo e as partes (arguidos e advogados) terem apenas sido notificados com uma antecedência de menos de cinco dias antes do arranque do julgamento, o que contrariava a lei.
Entretanto, os arguidos são acusados da prática dos crimes de peculato, burla por defraudação, falsificação de documentos, associação criminosa, abuso de poder, branqueamento de capitais e tráfico de influências.
O processo de julgamento será conduzido pela veneranda juíza Anabela Valente, que tem como adjuntos os juízes Martinho Nunes e Inácio Paixão, e conta com 38 declarantes, entre eles o professor catedrático Carlos Feijó, que foi ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República, na era de JES, Norberto Garcia, e a actual ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, Ana Paula do Sacramento Neto.
Consta da acusação que os generais “Kopelipa” e “Dino”, alegadamente, engendraram um plano para enganar o Estado e, a pretexto de uma reestruturação, apropriaram-se de imóveis construídos com fundos públicos e comercializaram-nos como se fossem deles.
Manuel Vicente passa despercebido da justiça
Por outro lado, a justiça angolana continua a deixar de lado, Manuel Vicente, antigo "homem forte" da Sonangol e ex-vice presidente da República no consulado de JES, acusado, em 2017, em Portugal de vários crimes, entre os quais de corrupção, tendo na ocasião sido constituído arguido.
O antigo vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, e mais três antigos executivos da Sonangol foram acusados na Procuradoria Geral da República (PGR) Portugal de esquemas de corrupção e branqueamento de capitais quando exerciam funções na petrolífera.
Manuel Vicente foi acusado pelo Ministério Público português de corromper o antigo procurador Orlando Figueira com 760 mil euros para que este arquivasse dois processos em que o mesmo estava a ser investigado.
Numa nota da procuradoria-geral da República de Portugal, Manuel Vicente é ainda suspeito de branqueamento de capitais e falsificação de documentos.
Entretanto, não obstante o processo ter sido encaminhado para Angola, a pedido das autoridades angolanas, entre eles, o próprio presidente João Lourenço e de já ter terminado o período de imunidades do ex-vice presidente, Manuel Vicente continua a viver à grande e à francesa no exterior do País onde se refugiou para fugir da justiça, sem que a procuradoria consiga localizá-lo, terminar o processo de acusação ou mandar detê-lo.
*Com agências







