Polícia no Lubango detém jornalistas que cobriam manifestação e apreende seus equipamentos de trabalho
Efectivos da Polícia Nacional, afectos à Unidade de Reacção e Patrulhamento (URP), detiveram nesta quinta-feira (06), jornalistas da Rádio Eclésia, Na Mira do Crime e Rádio ISPI, que cobriam uma manifestação realizada pela população do bairro Tchituno, no Lubango, província da Huíla. O protesto ocorreu no centro de distribuição da ENDE Huíla.
Por: Laurentino Tchatuvela (Huíla)
Os agentes da polícia exigiram que os jornalistas entregassem seus equipamentos de gravação e os obrigaram a subir na viatura de patrulhamento para serem interrogados sobre o motivo da reportagem, mesmo após se identificarem. Além disso, os profissionais foram ameaçados para que não divulgassem informações sobre o ocorrido.
Posteriormente, a polícia começou a expulsar a imprensa do local, afastando os jornalistas da ocorrência.
Os profissionais envolvidos lamentaram a atuação dos efetivos da URP, defendendo que a corporação deveria agir com mais cautela a fim de evitar que algum agente seja responsabilizado criminalmente.
Durante a manifestação, a polícia também agrediu vários participantes com chicotes, incluindo uma senhora chamada Avelina Ngueve. Após ser espancada, ela perdeu o telefone no local.
Avelina Ngueve revelou que estava em frente à ENDE reivindicando melhores condições de fornecimento de energia eléctrica no bairro Tchituno, Zona 3, quando os agentes chegaram e começaram a agredir os manifestantes. "Meu telefone caiu na confusão", afirmou.
Ela ressaltou que a região sofre com a falta de electricidade há muito tempo. "Já enviamos várias queixas à ENDE, mas até agora não houve qualquer resposta. Continuamos a viver na escuridão. Apenas metade do bairro tem acesso à energia eléctrica, e isso contribui para o aumento da criminalidade, com marginais armados usando tanto armas de fogo quanto armas brancas", denunciou.
Neste momento, segundo Avelina Ngueve, dois manifestantes foram levados pela polícia.
A população criticou a actuação da URP e pediu que a polícia adote uma abordagem mais pedagógica. "Não podem simplesmente chegar e bater. Estamos a nos manifestar porque temos razões legítimas. O governo precisa garantir melhores condições de vida para a população, como acesso à água e energia eléctrica", afirmaram os moradores.
O comandante da Polícia Nacional da URP na Huíla, superintendente Guilherme Chipa, reprovou a actuação dos seus efectivos e garantiu que tomará medidas contra os agentes que agiram de forma inapropriada contra os jornalistas no exercício das suas actividades profissional.







