Estão com fome, sem casa e desesperadas: Efectivo da Polícia abandona a esposa e filhas menores em Luanda há seis anos e instala-se no Cuanza Sul “na boa vida”
Uma cidadã que reponde pelo nome Domingas Kipungo, de 29 anos de idade, moradora do bairro da Junta, município do Sequele, acusa o cidadão Isaías Amândio Ngonga, (Macumbi), suposto efectivo da Polícia Nacional, de a ter abandonado com duas filhas e ter interrompido o sustento das menores há cerca de seis anos.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Domingas avançou a nossa reportagem que, enquanto mantinha o relacionamento conjugal, durante cinco anos com Isaías, era militar das Forças Armadas Angolanas (FAA), colocado em Cabo Ledo.
"Posteriormente", continuou " foi transitado para a Polícia Nacional e colocado no Comando Municipal do Sumbe, província do Cuanza Sul, onde teve que se mudar, com a promessa de reunir condições e levar a família para viverem juntos.
“Abandonou-me há seis anos numa casa arrendada, e deixou de dar sustento, mais tarde descobri que tinha arranjado uma outra esposa, no Cuanza Sul, enquanto nós aqui em Luanda estávamos a espera que ele nos chamasse para viver com ele", revelou a nossa entrevistada.
Tendo em conta a situação precária que passou a enfrentar, passou a desenvolver actividades domésticas em residências e, após ter sido colocada fora da casa arrendada, ficou sem rumo com as crianças.
"O assunto foi parar no Tribunal da Comarca de Luanda, na Sala de Família; 1° Secção, no ano 2022, ele prometeu voltar a dar apoiar, mas quando voltou ao Sumbe, não cumpriu”, lamentou.
“Passados dois anos, devido ao sofrimento com as meninas, viajei para o Sumbe, mas fui totalmente escorraçada por ele", lastimou.
"Insatisfeita", revelou a senhora, "cheguei ao Comando Municipal do Sumbe e falei com o comandante António Zambo, que aconselhou-me a recorrer à abertura de um processo-crime e, posto no Tribunal da Comarca do Sumbe, em Fevereiro de 2024, mais uma vez assinou os documentos que exigiam que ele passasse a sustentar as filhas, infelizmente não voltou a cumprir".
Acrescentou que nem sequer às crianças têm registo civil, e nem frequentam a escola, por falta de condições.
"Vivo numa casebre, sem condições, com as chapas furadas, alguém colocou-me para controlar o terreno, a primeira filha agora tem nove anos e a outra oito anos de idade, o mais triste é que nunca foram a escola como as outras crianças", explicou.
A jovem, revelou que durante os últimos dias não goza de boa saúde, o que a impede de exercer actividades para o sustento da família.
"A minha saúde não está boa, mesmo assim trabalho como lavadeira, de casa em casa, e acarreto água para casa das pessoas, sinto muitas dores no corpo. Às vezes tenho que ficar em casa e a depender do pouco de comida que as pessoas me dão, enquanto o salário dele passa os 300 mil mensalmente, eu descobri, e as filhas aqui a morrer de fome", observou.
O Na Mira do Crime contactou o acusado, Isaías Amândio Ngonga. Em declaração, avançou que devido a algumas dificuldades não consegue cumprir com os acordos, tendo desmentido que foge das suas responsabilidades enquanto progenitor.
"Devido a alguns casos não consigo enviar o dinheiro, mas enviei 30 mil Kwanzas no princípio de Março. Quanto ao registo civil das meninas, eu já tentei no SIC, em Luanda, mas não foi possível porque na altura o meu Bilhete de Identidade encontrava-se caducado", justificou.
Admite ter errado por não cumprir com os acordos assinados na Justiça. "Já conversei com ela sobre a minha situação, sei que falhei, mas daqui adiante passarei a enviar o dinheiro para as miúdas", garantiu.
Em busca da verdade, o Na Mira do Crime procurou outra vez ouvir a senhora Domingas, neste domingo, 09, sobre as declarações do seu marido pelo que respondeu… "ele é mentiroso e sempre foi. Recebi apenas 20 mil das mãos do irmão dele, ele enviou porque o ameacei que procuraria ajuda aos órgãos de comunicação social, por temer ser exposto resolveu tapar as minhas vistas, com aquele dinheiro", resumiu.
"Peço ajuda a todos, principalmente ao Ministro do Interior, Manuel Homem, ao Comandante Geral da Policia Nacional ao Comandante da Polícia no Cuanza Sul, e aos defensores dos Direitos das Crianças no sentido de que este senhor cumpra com os deveres de pai. Já não consigo suportar ver as minhas filhas sem ir a escola e a passar fome, por favor, ajudem-me", pediu.







