No São Pedro da Barra: Menina baleada na cabeça por agente da polícia carece de mais apoios
A família da menina Maria Luís Miranda, de 04 anos de idade, residente no bairro São Pedro da Barra, município do Hoji-ya-Henda, baleada na região da cabeça por um efectivo da polícia no mês de Maio de 2024, na via pública, durante suposta perseguição contra marginais, passa por problemas financeiros para puder concluir o tratamento da menor.
Por: Cambuta Vieira
O Na Mira do Crime tem acompanhado o caso desde então, e visitou a menor na sexta-feira, 07 de Março, depois de um longo tempo que a mesma esteve na Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital Maria Pia.
Recordem-se que após receber alta, um mês após o seu internamento, uma equipa multissectorial do Comando Provincial da Polícia em Luanda, realizou uma visita à família da menor, isto em Junho de 2024, onde se comprometeram a ajudar financeiramente, e prestar assistência médica e medicamentosa a menor.
No mês de Dezembro de 2024, uma equipa do então Comando Municipal de Luanda fez-se presente à casa dos familiares da menor, e deixou produtos de primeira necessidade e brinquedos.
Em casa da vítima, fomos recebidos pelos avôs da pequena, que ainda tem o “lado esquerdo” paralisado, mas que já dá os primeiros passos, embora com ajuda da avô.
A fala ainda não voltou ao normal, mas já se pode perceber algumas palavras, embora continua a “babar-se” e fazer o uso de descartáveis.
De acordo com os avôs, a menor apresenta algumas crises de tremuras.
Explicaram que mensalmente recebem 50 mil kz da corporação, valor este que chega tarde e não compensa em função das despesas.
"O dinheiro para vir temos que fazer pressão, ligamos para o comandante da esquadra do São Pedro da Barra, este por sua vez liga para os seus superiores, até hoje dia 07 de Março ainda não recebemos o dinheiro de Fevereiro, é uma luta enorme" frisou.
Os xaropes não podem faltar, na quarta-feira 26 de Fevereiro, disse a nossa entrevistada, Maria teve uma crise, acompanhada de tremuras por falta de medicação.
“Tivemos que fazer o impossível para adquirir o xarope, o hospital Maria Pia onde temos feito consultas não nos dão xaropes”, observou.
Outrossim, contam, tem que ver com a alimentação, desde que a menina foi baleada, tem sido uma luta constante, porque o leite, sumo e bolachas não podem faltar, assim como fraldas descartáveis para uso diário.
“Às vezes ficamos sem saber o que fazer em função dos gastos. Mensalmente recebemos 50 mil kz, usamos para o táxi nas consultas que são duas vezes por semana, serve para a compra de medicamentos que custam 3 mil e 500 a 4 mil kz, leite, sumo e descartáveis, não chega para nada", apelou.
Durante o dia, Maria chega a usar mais de cinco descartáveis, sendo que uma pasta custa 5 mil kz, mensalmente compram duas, “tem sido uma dor de cabeça gerir o pouco dinheiro, em função do custo alto da mercadoria”.
Maria completa 5 anos em Junho, mas não vai poder frequentar o ano lectivo 2025/2026 em função da sua saúde que ainda requer muitos cuidados.







