“Os Caixa Baixa e Criminal Família”: Gangues fazem as pazes ‘diante da polícia’ e realizam partida de futebol como símbolo de união
O Comando municipal dos Mulenvos, por meio do Delegado do Minint e comandante municipal, Superintendente-chefe António Mbinza, no âmbito do processo de policiamento de proximidade e combate a delinquência, uniu, neste domingo, 23, dois grupos rivais cujos membros são tidos como altamente perigosos, nomeadamente “Os Caixa Baixa e Os Criminal Família”, que tiravam o sossego dos moradores realizando assaltos na via pública e vandalismo.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
A iniciativa, que foi simbolizada com uma partida de futebol na zona da ponte partida, contou com o apoio de “Vidinho”, futebolista do Clube Desportivo Petro de Luanda, por sinal cresceu naquele município.
Antes do jogo, o Comandante 'Mbinza' apelou aos jovens a pautarem pela paz e aconselhou-os a largarem as práticas que coloquem em risco a vida de todos na comunidade, e garantiu todo o seu apoio a todos aqueles que precisarem de ajuda para largar práticas que entrem em conflito com a Lei.
"Todos nós nascemos para ser felizes, para tal é preciso que haja paz no seio das comunidades, principalmente entre os jovens, porque representam a continuidade do desenvolvimento do país, e não será possível caso cometam crimes como roubo, vandalismo e lutas, que muitas vezes resultam em morte”, alertou.
O oficial pediu que os jovens entreguem todo material letal usado durante as lutas, e que assinem o acordo de paz entre eles.
“Farmácia”, integrante do grupo “Criminal Família”, revelou ao Na Mira do Crime que o seu grupo realizava actos criminais por vários motivos, sobretudo para garantir a fama no bairro, tendo agradecido o esforço do Comandante 'Mbinza' por ser um dos mediadores para assinatura de paz entre os grupos.
"Aqui lutamos muito, atacamos qualquer pessoa na rua, jovens, velhos ou senhoras que saem dos mercados, não importa quem seja, mas com o conselho do comandante fizemos às pazes e prometemos parar com o vandalismo, porque já houve muitas mortes, tanto do nosso lado como do lado dos Caixa Baixa, eu até já cheguei a ser alvejado com tiro por duas vezes no mundo do crime, mas chega", garantiu.
Uma moradora da zona do Mirú, que se fez presente para assistir a partida de futebol e testemunhar o acordo de paz entre os grupos, mostrou—se céptica com a reconciliação, e incentivou os jovens a serem cumpridores das suas palavras.
"Estou admirada ao ver os dois grupos a jogarem a bola juntos, não acredito muito na mudança deles, mas quem sou eu para julga-los", indagou, acrescentando que, caso a paz entre os grupos prevaleça, os Mulenvos tornar-se-á um bom lugar para se viver.
"O nível de criminalidade aqui é muito elevada, mas com a promessa deles que a partir de agora levarão uma vida de paz, então o sossego reinará no bairro", resumiu.
Já o Superintendente-chefe, Nestor Goubel, Porta-voz do Comando Provincial da Polícia em Luanda, disse ser um acto que há muito vem sendo orientado pelo comando no qual é porta-voz, e visa promover o policiamento de proximidade, sobretudo ajudar os jovens na promoção de práticas que criem um ambiente de harmonia, paz e tranquilidade.
"Actos como estes foram antes desenvolvidos em outras partes de Luanda, com o projecto crime zero", por exemplo, "foi possível resgatar muitos jovens das práticas que só colocam a vida deles em perigo, uma vez que há até relatos de jovens que perderam a vida durantes conflitos entre eles, mas a polícia estará sempre pronta para ajudar os jovens no regate das boas práticas." sublinhou.
Para agraciar os jogadores, a equipa vencedora foi agraciada com 50 mil Kwanzas e 30 mil Kwanzas para a equipa perdedora, oferecidos pelo jogador do Petro de Luanda, Vidinho.







