Lubango: Desabamento de terra nas margens do rio que cerca os bairros Bula Matadi e Comercial ameaça ‘engolir’ várias residências
Residências construídas em zonas de risco, adjacentes ao que circunda os bairros Bula Matadi e Comercial, podem ser engolidas a qualquer momento devido ao desgaste das margens, o que poderá, em breve, causar enormes prejuízos aos seus moradores. Estes rogam por uma intervenção urgente por parte da Administração Municipal do Lubango, para que sejam retirados e realojados em zonas seguras.
Por: Laurentino Tchatuvela (Huíla)
José Chimuco, coordenador da Zona 3, no Bairro Comercial, sublinhou que algumas residências estão na iminência de desabar.
Afirmou que, anteriormente, uma equipa composta por efectivos do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros bem como da Administração Municipal do Lubango, esteve a efectuar uma vistoria às residências próximas das margens dos dois bairros mencionados.
No entanto, desde Dezembro de 2024 até o momento, essa equipa nunca mais apareceu.
“Dado que o desabamento da terra na margem do rio está a alastrar-se para os nossos quintais, pedimos com urgência a nossa retirada deste local, para se evitarem consequências graves,” apelou Chimuco.
Segundo ele, quando essas instâncias superiores estiveram no local, garantiram que em menos de uma semana a situação estaria resolvida.
“Infelizmente, já se passaram três meses. Neste momento, só não saímos porque não temos para onde ir,” lamentou.
Luciano Manuel Dala destacou que a situação do desgaste de terra na margem do rio é preocupante, principalmente desde o início da época chuvosa, o que representa uma ameaça constante para os moradores.
De acordo com ele, há alguns anos a empresa Omatapalo orientou uma retroescavadora para desviar o rio próximo das residências, com a intenção de calçar as margens, mas, até agora, a obra nunca foi realizada.
“No ano passado, alguns vizinhos foram realojados na Centralidade da Quilemba, outros no Bairro da Eiva e no Toco. Nós, no entanto, fomos abandonados”, lamentou.
“Devido às fortes chuvas, quando a intensidade diminui, minutos depois ouve-se o barulho de desabamento de terra das margens do rio — algo que nos preocupa profundamente,” concluiu.
Mariana Calhapi explicou que, caso os moradores não sejam transferidos para um local seguro, correm o risco de perder as suas residências, e consequentemente podem se perder vidas humanas.
“Precisamos de ajuda. O governo deve velar por esta situação. As nossas casas correm o risco de ser engolidas a qualquer momento”, alertou Mariana.
Caso a situação não seja resolvida com urgência, os moradores dos bairros Bula Matadi e Comercial tencionam realizar uma manifestação dentro de dias em frente à Administração Municipal do Lubango.
A informação foi avançada por Ério António Cavela, presidente dos moradores dos bairros Bula Matadi e Comercial e fundador da organização não-governamental Passuka Có Muenho, que em língua Umbundu significa "Acorda para a vida".







