Nove meses depois: Agente do SIC acusado de reter viatura envolvida em acidente "por causa de dinheiro"
Um efectivo do Serviço de Investigação Criminal (SIC), que atende apenas pelo nome Barros, colocado na Direcção Municipal do Kilamba Kiaxi, está a ser acusado de acobertar um cidadão, identificado por Adnêrcio Lima De Oliveira Osvaldo que, na madrugada de 19 de Junho de 2024, conduzia uma viatura de marca Suzuki Jimmy, com chapa de matrícula LD-23-74-EP, de cor branca, atribuída à sua esposa, de nome Elsa Silva, pelo Banco Económico.
Por: Cambundo Caholua
No entanto, Osvaldo embateu contra uma outra viatura de marca Hyundai, modelo Accent, com a chapa de matrícula LD-23-74-EP, de cor preta, que se encontra retida por ordem do investigador Barros, no exterior do Comando Municipal do Kilamba Kiaxi, na Urbanização do Nova Vida, onde a mesma está a ser danificada, as peças estão a ser furtadas e a chuva a fazer das suas.
De acordo com o proprietário da viatura Accent, Sebastião Francisco Garcia, de 41 anos de idade, passados 09 meses desde que ocorreu o acidente, o investigador e instrutor do SIC para área dos acidentes continua a reter a viatura, tudo porque o mesmo defende que se pague um valor de 2 milhões e 600 mil kwanzas para se reparar os danos do Suzuki, numa oficina de confiança do senhor Osvaldo.
"Muito antes, após o acidente, o motorista do Suzuki exigiu que se levasse a viatura do Banco Económico a uma oficina de sua confiança, onde, feita as contas, os gastos para a reparação da mesma viatura rondariam aos 02 milhões e 600 mil kwanzas, e neguei, porque não tenho esse dinheiro", frisou.
Segundo Sebastião, como os valores são muito altos, ofereceu uma outra proposta de uma oficina que ficaria a menos preço, isto é, a um milhão e 800 mil kwanzas, sendo que o trabalho a ser feito seria da mesma qualidade.
"Eu propus uma outra oficina que repararia o Suzuki pelos danos causados, pois assumi a reparação do mesmo, mas o senhor Osvaldo com o Inspetor Barros forçaram tudo isso, criaram uma armadilha para a minha viatura Accent ficar retida esse todo tempo, dando a impressão de que não me quero responsabilizar", começou por denunciar.
"O Osvaldo prometeu dinheiro ao investigador Barros do SIC, por isso eles privaram a minha viatura para eu ceder os 2 milhões e 600 mil kwanzas e eles repartirem", acusou.
Sebastião ressaltou que, de várias formas, contactou o efectivo do SIC, mas este sempre mostrou-se arrogante.
Reuniu-se com a esposa do senhor Osvaldo, de nome Elsa Silva, afecta a área do património do Banco Económico, a mesma instituição bancária que atribuiu a viatura, bem como Benvindo Coxi, homem de confiança da referida senhora, a fim deste assunto ser resolvido, mas nem com isso houve resolução.
"A minha viatura está no comando há 09 meses, apanhar chuvas, as peças estão a ser roubadas, quem vai pagar a minha viatura, por esse tempo todo?", indagou o lesado, que acha que pelo tempo que a viatura está no comando, se houvesse vontade da parte do investigador, o processo já teria subido ao tribunal, "uma vez que alegam que eu não quero assumir os danos".
Este jornal teve acesso a vários e-mails e conversas que Sebastião enviou para o senhor Benvindo Coxi, funcionário do Banco Económico e para área do património, com objectivo de dirimir o problema, mas não obteve sucesso, situação que o deixou agastado.
"Eles não levaram o carro a uma oficina do Banco Económico, porque querem tirar dividendos. Isto só mostra o quanto eles querem me extorquir e se beneficiar", revelou.
Sebastião recordou que o acidente ocorreu na madrugada do dia já referenciado, quando o seu irmão de 19 anos de idade, identificado por Denilson Ngunza Cuvula, que não possui carta de condução, seguia com o Accent em direcção ao contorno da Fubú, onde foi surpreendido pela viatura Suzuki, que estava a ser conduzida pelo senhor Adnêrcio Lima De Oliveira Osvaldo, supostamente em estado ébrio.
Contactado o senhor Osvaldo, por via telefónica, disse ao Na Mira do Crime que em nenhum momento conduzia embriagado e alegou que não é culpado e não estava em alta velocidade ao pongo de chegar a perder os travões.
Do mesmo modo, contactou-se também Benvindo Coxi, afecto à área de património do Banco Económicoo, este não atendeu as chamadas.
Então, o Na Mira do Crime deslocou-se ao comando municipal do Kilamba Kiaxi, a fim de ouvir o efectivo do SIC, que está a ser acusado de reter a viatura, mas este alegou que não poderia falar, mas sim tinha que ser o Porta-voz daquele órgão.
Entretanto, a equipa de reportagem entrou em contacto com o Porta-voz do SIC em Luanda, Superintendente-chefe Fernando Carvalho, este confirmou que o caso já se encontra no departamento dos acidentes, na direcção provincial de Luanda.







