Empresário chinês acusa antigo chefe da fiscalização de Viana de usar o nome da filha de Laborinho para se apropriar do seu terreno
Um empresário de nacionalidade chinesa, identificado por Chang Song Zhang, que adquiriu um terreno em Janeiro de 2023, acusa o antigo chefe da fiscalização de Viana, Joaquim Catana “Quim Catana”, de estar a usar o nome da filha do ex-ministro do Interior, Eugénio Laborinho, identificada como Amaria Mara Cláudia Laborinho, para se apropriar do seu espaço, situado na vizinha província de Icolo e Bengo, arredores do Km 25.
Por: Cambundo Caholua
Segundo o lesado, o prédio rústico tem a dimensão de 110/40 m2, e foi adquirido no valor de 30 milhões de Kwanzas, ao cidadão que atende pelo nome Gaspar.
Falando ao Na Mira do Crime, Chang Song Zhang explicou que, por causa da idade avançada do senhor Gaspar, vendedor do terreno, o mesmo fez-se acompanhar de seu sobrinho, Cláudio, e os seus advogados identificados por Piedade e Jorge, para a celebração do negócio.
Conta que, no mesmo dia em que foi feito o contrato de compra e venda do terreno, no valor já referenciado, o vendedor aconselhou o comprador a constituir como seus advogados os mesmos senhores Piedade e Jorge, que são também advogados do Cláudio e Gaspar, este último o vendedor.
O actual advogado de Chang Song Zhang, numa exposição enviada ao Na Mira do Crime, refere que o empresário teria aceitado a referida proposta, e concordou em constituir os advogados já mencionados como seus representantes, na altura.
No entanto, após um mês de terem celebrado o contrato da compra do terreno, o novo dono, Chang Song Zhang entendeu realizar uma visita ao espaço com a pretensão de colocar uma equipa de segurança para a guarnição e, para a sua surpresa, foi impedido de entrar por elementos estranhos.
Sendo assim, Chang Song Zhang comunicou a equipa de advogados constituídas na altura da compra do espaço, a fim de expor o que estava a ocorrer.
"O tempo foi passando, e os advogados Piedade e Jorge já não atendia os telefonemas do comprador, o intermediário, de nome Yuri, por sinal genro do vendedor, também já não atendia as chamadas telefónicas, bem como o senhor Cláudio”, denunciou.
Perante esta situação, o comprador fez uma participação ao Serviço de Investigação Criminal (SIC), e após uma investigação deste órgão, foram notificados os envolvidos, estes, por não acatarem e não comparecerem, o SIC emitiu um mandado de detenção, que culminou com a detenção do senhor Gaspar, vendedor do terreno em causa, tendo sido solto no dia seguinte sem nenhuma explicação, explicou Chang Song Zhang.
Lamenta que os restantes envolvidos nunca mais tenham sido vistos “tantos os advogados, os intermédios e o Cláudio, sobrinho do vendedor”.
Entretanto, o actual advogado de Chang Song Zhang esclareceu que em volta disso fez-se uma investigação e foi descoberto que Joaquim Catana, como sendo o autor de todo transtorno montado para que o empresário não tenha acesso ao seu terreno.
"Após uma investigação a volta do assunto, foi descoberto o matreiro por detrás desta prática de usurpação de imóvel ao cidadão chinês, este chama-se Joaquim Catana, ele conhecia o terreno, após ter se apercebido da venda do espaço, contactou umas das sobrinhas do vendedor e o próprio Cláudio, e prometeu-lhes dinheiro", acusou.
Acrescenta que o mesmo foi expulso da função pública na Administração de Viana, por práticas indecorosa e continua com as mesmas práticas.
“Catana tranquilizou os mesmos, no sentido destes não terem medo, porque que quem estaria a frente de toda máquina montada seria a filha do Eugénio César Laborinho, na altura, Ministro do Interior”, desvendou.
O vendedor, senhor Gaspar, revelou que em nenhum momento negociou com a senhora Amaria Mara Cláudia Laborinho, e afirmou nunca tê-la visto.
Por outro lado, lê-se também na exposição do advogado de Chang Song Zhang: "Em função das denúncias públicas feitas por sua excelência, senhor governador do Icolo e Bengo, sobre a usurpação de imóveis, este é uma das provas das referidas denúncias”.
O empresário de nacionalidade chinesa sublinhou que diante destes factos acima expostos, deseja que as autoridades angolanas, especialmente a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Serviço de Investigação Criminal (SIC), exerçam o seu papel com vista a repor a legalidade.







