Detidos 16 ex-integrantes da brigada por associação criminosa: Polícia e Turma do Apito ‘medem forças’ no Sambizanga
No sábado 19 de Abril, 16 cidadãos foram detidos pela Polícia Nacional (PN) no bairro da Lixeira, município do Sambizanga, após se dirigirem ao local para supostamente tentar acudir uma rixa violenta. Os jovens dizem ser ex-integrantes da extinta "Turma do Apito", a conhecida brigada de vigilância comunitária, desactivada pela própria PNA em 2023.
Por: Cambundo Caholua
Segundo familiares e moradores, os detidos não estavam a patrulhar o bairro nem a reactivar a antiga brigada, como afirma a polícia — apenas responderam a uma situação emergencial, num território conhecido pela insegurança e ausência policial, defendem-se.
No entanto, a versão oficial da Polícia apresentada ao Na Mira do Crime, acusa o grupo de “associação criminosa”, alegando que se tratava de uma tentativa de ressurgimento da Turma do Apito.
Os moradores denunciam que essa narrativa é uma tentativa clara de criminalizar antigos vigilantes comunitários e intimidar a população, que se tem manifestado contra a crescente criminalidade e o abandono por parte das autoridades.
Polícia diz que a criminalidade não aumentou…
Em nota, a PN declarou que “não é verdade que o nível de crimes subiu no Sambizanga” e assegura que as zonas críticas são acompanhadas de perto.
Líderes da extinta Turma do Apito que falaram em anonimato ao Na Mira, afirmam que esta posição das autoridades entra em choque com a realidade vivida na zona, onde assaltos, agressões sexuais e rixas são cada vez mais frequentes.
“Se a criminalidade não aumentou, por que é que os moradores vivem com medo? Por que é que há cada vez mais relatos de roubos e violência? A tentativa da PN de ignorar os fatos visíveis só aprofunda a sensação de abandono. Convocamos a população: vamos tornar o invisível, visível. A população do Sambizanga é convidada a participar activamente da denúncia da criminalidade: registem, filmem e divulguem cada ocorrência. Vamos mostrar que, apesar do que dizem as autoridades, a insegurança é real — e que os verdadeiros criminosos continuam soltos, enquanto inocentes são detidos por tentar ajudar”, manifestaram.
Os jovens dizem que a Polícia Nacional afirma ter encontrado uma arma de fogo com o grupo. Mas, dizem que há a omissão de um detalhe crucial: “a arma não pertencia a nenhum civil. Estava em posse de um cidadão castrense, que, ao tomar conhecimento da situação de insegurança no bairro, decidiu apoiar os ex-membros da extinta Turma do Apito, numa acção pontual e de emergência”.
Sublinham que este gesto não configura formação de milícia, muito menos associação criminosa.
“Foi um gesto de coragem de alguém que não podia ignorar o clamor de um povo abandonado”.
Polícia detém 16 da Turma do Apito
A Polícia Nacional no município do Sambizanga informa que, do resultado de uma micro-operação no seu território, ocorrido de 18 a 20 do corrente mês, deteve 25 indivíduos, dos quais 16 elementos ex-integrantes da Turma do Apito.
De acordo com o responsável da comunicação da polícia em Luanda, a operação "Sambizanga Seguro" foi realizada com o intuito de reforçar o sentimento de segurança dos munícipes, e incidiu nós bairros, Mota, Santo Rosa e Lixeira, e destacou o desmantelamento de dois grupos de rixa, que praticavam roubo na via pública, nomeadamente os “Babi 300” e Turma do Apito”.
O porta-voz avançou que, a operação permitiu de igual modo apreender quatro motorizadas, quatro armas de fogo do tipo AKM com os seus respectivos carregadores, uma pistola do tipo Makarov, uma balança de pesagem de material ferroso, sete catanas, 28 kg de estupefacientes do tipo liamba, quatro gorros, a recuperação de uma viatura de marca Chevrolet, modelo Spark, duas botijas de gás butano e três televisores plasma.
Fez saber que os implicados serão encaminhados ao Ministério Público para os trâmites que se impõem.







