“Não querem transformar a frustração em revolta” - Força Aérea Nacional acusada de despedir 180 militares sem explicação
A Força Aérea Nacional (FAN) está a ser acusada de afastar indevidamente perto de 180 militares da Força Aérea Nacional, que foram licenciados antes de cumprirem os 03 anos exigidos pelo Serviço Militar Obrigatório (SMO), como se de uma “peça sem valor” se tratasse. Eles apelam às autoridades que não querem transformar a frustração em revolta. Querem apenas servir o país com dignidade, respeito e justiça.
Por: Lito Dias
De acordo com um documento a que este Jornal teve acesso, os efectivos em causa foram recrutados na província da Lunda-Sul (Saurimo), mais especificamente no Centro de Instrução de Tropas da Força Aérea (CITFAN).
“Após superarmos os 06 meses de recruta, com sacrifício, disciplina e coragem, e realizarmos com orgulho o Juramento à Bandeira, iniciamos o curso de especialização com duração prevista de 3 meses”, revelam, acrescentando que quando faltavam apenas dois dias para a conclusão do curso, receberam uma notícia devastadora durante a formatura: “estávamos licenciados por redução de pessoal”.
“Nenhuma explicação clara, nenhuma consideração pelo nosso esforço e dedicação. Fomos simplesmente descartados, como se fôssemos peças sem valor”, consideram.
De acordo com o Ministério da Defesa, através da Inspecção Geral das FAA, não deveriam ter sido afastados das Forças Armadas Angolanas e deveriam ter sido reenquadrados. Mesmo assim, até hoje, o Comando da Força Aérea não deu qualquer resposta ou esperança.
Sentem-se abandonados desde 2019, pois não foram inseridos na transição das FAA para a Polícia Nacional Angolana, tampouco reintegrados na Força Aérea Nacional.
“Estamos entregues à nossa própria sorte, com as nossas famílias a perguntarem por respostas que não temos”, queixam-se.
Sentem-se profundamente injustiçados, traídos e esquecidos pelo sistema que juraram defender.
“Não é justo sermos submetidos a um treino rigoroso, investirem em nossa formação, e no final sermos dispensados sem causa justa, sem sequer uma oportunidade de servir efectivamente o país”, sublinham.
Para eles, se era necessário reduzir efectivos, por que escolher justamente os mais novos, que nem sequer tinham completado um ano de serviço?
“Fomos sacrificados sem qualquer critério justo. Batemos em várias portas, imploramos por respostas, mas até agora só encontramos silêncio e indiferença”, dizem, alertando que não pretendem, de forma alguma, aplicar de forma negativa o que aprenderam nas Forças Armadas.
Também não querem transformar a frustração em revolta. Querem apenas servir o país com dignidade, respeito e justiça.
Esclarecem que o documento, que esperam que chegue ao Presidente da República, não visa criar polémica, mas sim apelar à consciência das autoridades competentes e da sociedade, para que conheçam a realidade enfrentada por cidadãos que serviram com honra e foram deixados sem respostas.
Por Decreto Presidencial n.º 354/19, Diário da República, 1.ª Série n.º 155, de 2 de Dezembro, o Tenente-General Gino da Cunha foi nomeado para o cargo de Chefe do Estado-Maior da FAN, e está no comando desde 2023.







