Abandonados pela Administração de Calumbo: Polícia aeroportuária e invasores de terrenos estão a maltratar e a demolir residências de pacatos cidadãos
O bairro Kikuxi 2, conhecido também por bairro Floresta, está situado na primeira paragem do Zango 3, Lado B, no município de Calumbo, província de Icolo e Bengo. Os moradores chamaram o Na Mira do Crime para denunciar que há dois anos vivem em pânico constante, porque mesmo tendo as suas construções legalizadas, há um grupo de polícias da unidade aeroportuária, que em conivência com um grupo de invasores de terrenos molestam a vida da população, mesmo a residirem a muitos quilómetros do Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto.
Por: Solange Figueira
Os moradores apontam directamente um Superintendente da unidade aeroportuária, identificado como “comandante Chico”, o senhor Toi, Sadrak, Bruxo, Nelasta e Elias, este último que dizem ser o homem da baixa visibilidade.
“A Polícia que toma conta do Aeroporto, colocou um contentor azul cá no bairro, onde prendem os moradores que reivindicam, espancam-nos e nos torturam, e para sermos libertados temos de pagar até 10 mil Kwanzas”, denunciou Alberto Fidel, morador.
Disse que o contentor onde são detidos foi retirado da Centralidade Zango 8mil, era de cor castanho, mas, para intimidar o povo, os polícias e os invasores pintaram-no de cor azul.
“Já escrevemos para o Governador do Icole Bengo, para o Administrador Municipal de Calumbo, estes marcaram audiência com eles, mas nunca fomos recebidos, até já escrevemos para o ministro do Interior, mas até hoje ninguém responde, e as demolições continuam", lamentaram.
Dizem que estão agastados e revoltados com a situação, uma vez que os invasores não param, e já partiram a comissão dos moradores.
“Eles agora se apresentam como elementos da comissão de moradores, há três meses que estamos atrás do administrador de Calumbo, mas está a nos dar muitas voltas, pede-nos para aparecer na administração, mas ele mesmo não aparece, o administrador para Área Técnica de Calumbo já cá esteve, mas eles não querem saber de nós", protestaram.
António Correia, outro morador, diz que há um elenco de invasores bem estruturado que se quer apoderar das terras dos camponeses.
“Até o antigo coordenador foi algemado e preso, a polícia para nos intimidar chega armada até aos dentes, como se tivessem a combater inimigos, não têm piedade, até mulheres são agredidas, estamos a dar um grito de socorro".
Mamã Maria, também é moradora do bairro, já de idade, lamenta o facto de não ter onde morar, uma vez que a sua residência não foi poupada pelo martelo demolidor.
"Estamos a chorar todos os dias, quando esses polícias vêem levam todos os matérias de construção, até os telemóveis levam, o meu vizinho estava a limpar o quintal dele quando foi agredido, derrubaram a casa dele, há uma jovem que foi levada pelos polícias por discutir os seus direitos, está desaparecida até hoje”, deplorou.
Conta que o Toi faz parte do grupo de invasores, e gaba-se no bairro “que é o nosso presidente, não estamos perto do aeroporto, não sabemos o porquê desta invasão, pedimos socorro, precisamos que Administração de Calumbo olhe por nós", pediu.
A nossa equipa de reportagem entrou em contacto, por via telefónica, com administrador municipal de Calumbo, Miguel Silva de Almeida. No primeiro contacto, disse que desconhecia o assunto, mas, horas depois, encaminhou uma mensagem com o seguinte teor.
"Sobre as demolições ocorridas, trata-se de um grupo composto por nove cidadãos que, por volta das 11h00 do dia 22 de Abril, do corrente ano, deslocaram-se ao referido bairro e começaram a efectuar demolições arbitrária de residências e destruição de cultivos, alegando serem os proprietários do espaço, estamos a trabalhar para identificar os envolvidos. Atenciosamente", concluiu.







