Trabalhadores angolanos da empresa Multifab (de cidadãos eritreus) exigem melhores condições de trabalho
Os trabalhadores da empresa Multifab, que opera em território angolano desde 2022, manifestam insatisfação com as más condições de alimentação e de trabalho a que são submetidos diariamente na empresa, situada no município de Viana, em Luanda.
Por: Solange Figueira
A Multifab, também conhecida como Plástico Sol, é dirigida por cidadãos Libaneses e Angolanos e está localizada na rua Direita das Bombas de Combustível da Sonangalp, Bairro Encontal, Estrada Direita de Catete.
Segundo relatos, os trabalhadores denunciam más condições de trabalho e alegam constantes violações dos seus direitos.
Informações apuradas pelo Na Mira do Crime dão conta que, os funcionários recebem salários entre 58 mil e 70 mil kwanzas, sejam eles atendentes da loja ou operários da fábrica, no entanto, denunciam que não têm direito a folgas, subsídios, férias ou pagamento de horas extras.
Os trabalhadores também reclamam que, mesmo apresentando receita médica, as faltas não são justificadas, resultando em descontos mensais no salário, que podem chegar a 3 mil kwanzas.
Os funcionários apelam por melhores condições de trabalho e exigem que a empresa siga os trâmites legais conforme estabelece a legislação angolana.
Xavier, funcionário da fábrica há mais de cinco anos, afirmou que o seu descontentamento está relacionado com a violação constante dos direitos dos trabalhadores.
“Muitas vezes trabalhamos 16 horas por dia, sem receber horas extras e sem acesso a água. Não temos direito a férias ou folgas. Trabalhamos de segunda a sábado e até em feriados. O salário é pago em mãos. Temos horário de entrada, mas não temos horário fixo para sair. Os descontos são constantes e muitas vezes sem explicação”, relatou.
José, outro trabalhador, explicou que não possuem contrato de trabalho. “Mesmo doentes, somos obrigados a comparecer. Os dirigentes da empresa não demonstram empatia, precisamos da intervenção das autoridades governamentais para mudar essa realidade”.
Carla, funcionária da empresa, disse que tem havido caso de desrespeito à licença de maternidade: “Minha colega teve um bebé e, ao retornar ao trabalho, o seu posto já estava ocupado. Ela não recebeu salário durante a licença. Além disso, somos constantemente ameaçados pelos dirigentes estrangeiros, a alimentação fornecida é péssima e não temos um espaço apropriado para trocar de roupa. Estamos a sofrer há anos. Continuamos apenas porque precisamos do emprego, mas queremos mudanças”, exigiu.
Contactada pelo Na Mira do Crime, Henriqueta de Almeida, assistente administrativa de Recursos Humanos da referida empresa, negou as acusações feitas pelos trabalhadores.
Segundo ela as denúncias não correspondem à verdade, “são falaciosas”.
Justificou que, os funcionários trabalham em três turnos, de segunda a sexta-feira: das 8h às 15h, das 15h às 22h, e outro turno.
“Todos possuem contratos assinados, direito a férias, subsídios e alimentação. Trabalham apenas 8 horas por dia, os trabalhadores permanentes não trabalham aos feriados, apenas os de turno. Pagamos subsídios de férias no valor de 60% do salário, ou seja, cerca de 42 mil kwanzas. Estamos dentro da legalidade”, observou.
Disse que a gestão actual está em vigor desde 2022 e não tem relação “com alegações passadas”, afirmou.







