Caso "Muxima Plaza": Cidadão angolano que ‘luta’ com Estado angolano há 18 anos assegura que vai levar o caso até às últimas consequências
Por uma expropriação inexistente, o caso já perdura há mais de 18 anos, cujo desenrolar o jornal Na Mira do Crime continua a acompanhar: o cidadão nacional Carlos Ramos está numa luta com o Estado angolano, com vários processos em tribunais, PGR, Provedoria de Justiça e instituições governamentais, com o objectivo de ver resolvido o processo em que reivindica na justiça.
Por: Cambundo Caholua
Numa carta enviada a este Jornal, a vítima traz ao de cima o seu percurso histórico de um cidadão angolano, filho de pai português e mãe angolana, que nasceu no dia 30 de Maio de 1953, na província de Luanda, precisamente na rua Travessa da Mutamba Nº 10, por sinal local, onde estava instalada a residência deixada pelo seu pai, que agora foi incluída ilegalmente no espaço onde foram construídos os edifícios "Muxima Plaza", sem antes haver expropriação e o herdeiro ser indemnizado.
"Vivi toda a minha vida na casa onde nasci, estudei no Liceu Paulo Dias de Novais, na Escola Técnica Elementar Emidio Navarro, e na Escola Comercial Vicente Ferreira", acentuou, querendo esclarecer que não se trata de uma pessoa qualquer.
Conta que, a partir de 1973, já era funcionário no Aeroporto de Luanda, mais precisamente nos Serviços de Aeronáutica Civil, como Oficial de Operações de Tráfego Aéreo.
A trajectória levou-o a cumprir o serviço militar obrigatório entre o ano de 1974 a 1975 na, até então, colónia portuguesa, tendo sido desmobilizado aquando da marcha dos angolanos contra o governo português, isto após o 25 de Abril de 1975, o que fez com que regressasse ao seu serviço no Aeroporto de Luanda.
Refere que o herdeiro do espaço em litígio é irmão de Zeca Ramos, já falecido, um dos fundadores do comité dos 50 e do MPLA, havendo algumas testemunhas vivas que podem confirmar tais afirmações.
Sublinhou que ele e os irmãos nasceram e viveram na casa que, hoje, é reivindicada e foi ocupada ilegalmente pelo Estado Angolano, ao vende-la também ilegalmente à empresa privada PROMINVEST.LDA que, tendo consciência de que o terreno estava em litígio, já abandonou a obra e foi-lhe pago o valor já investido, naquela altura, que rondava aos cerca de 400 milhões de dólares.
O nosso interlocutor, no caso Carlos Ramos, na carta enviada ao Na Mira do Crime, descreve que sempre esteve na retaguarda como um combatente pela independência do país, e sublinhou que ajudou a posicionar os abrigos dos Migs no aeroporto 4 de Fevereiro a pedido do Comandante Iko Carreira, como chefe das operações aeroportuárias do Aeroporto 4 de Fevereiro, na altura.
Não vê, por isso, motivos de tanta indiferença e falta de sensibilidade das autoridades, no caso que envolve a sua casa.
Ele não espera que se lhe façam tantos favores, mas pretende que seja reconhecido como dono do espaço em litígio. Afinal, foi aí onde nasceu e cresceu.
Participou na protecção de toda actividade aérea, em conjunto com outros angolanos, onde sempre esteve presente a abrir as salas Vips ao primeiro presidente de Angola, António Agostinho Neto, quando viajasse.
"Ajudei também no controlo aéreo e descarga do material bélico na luta pela independência, aquando da invasão do Congo-Zaire no norte do país, feita pelo antigo presidente daquele país, Mobutu Sese Seko", descreveu.
"Assisti a leitura da independência perto ao Largo, hoje primeiro de Maio, isto no dia 11 de Novembro de 1975 pelas zero horas", concluiu, asseverando que deu o seu melhor para este país para ser tratado da pior maneira.







