No Instituto Superior Kangonjo: Estudante de enfermagem 'simula' aborto após uma briga e força detenção da colega
Uma estudante, identificada por Flora Cruz, a frequentar o 3º ano do curso de enfermagem, no Instituto Superior Politécnico Kangonjo (ISKA), está a ser acusada de simular um abordo e forjar testes falsos, com objectivo de ludibriar as autoridades que perdeu uma gravidez durante uma briga com a sua colega de sala, de nome Antónia Alfredo Dala, isto no município do Sequele, província do Icolo e Bengo.
Por: Cambundo Caholua
Diante deste facto, o Procurador junto da esquadra 22 de Janeiro, António Margarido, está a ser também acusado de orientar a detenção da jovem Antónia. Aliás, o mesmo já havia observado e depois confirmado que os testes que a suposta vítima apresentou para se provar o aborto foram todos falsificados, por terem sido realizados em laboratórios não apropriados.
Segundo Antónia, tudo começou quando dispensou a disciplina de semiologia e enfermagem obstetrícia, uma cadeira que parte da turma não conseguiu se livrar dela.
Entretanto, isto terá causado inveja a outra colega, no caso a Flora, que durante um debate no grupo do WhatsApp, chegou mesmo a difamar e afirmar que a sua companheira de turma teria dispensado aquela disciplina por manter uma relação amorosa com o professor titular da referida cadeira.
"Não gostei do que ela disse e, então, quando nos encontramos na sala, fui por cima dela e dei-lhe algumas bofetadas", reconheceu.
Flora, no sentido de mostrar as garras, uma vez que já se gabava nos corredores do instituto que tem familiares influentes, segundo a denunciante, naquele dia, aproveitou e accionou uma equipa da Direcção de Investigação e Ilícitos Penais (DIIP), a quem informou que, durante a briga com a colega, havia acontecido um aborto.
"Recebi uma ligação de pessoas estranhas a dizerem para comparecer na uma esquadra mais próxima. Passados dois dias, recebi uma outra ligação para comparecer na esquadra 22 de Janeiro, mas eu não sabia que poderia ir a uma esquadra por causa de uma ligação, então não fui", contou Antónia.
Depois disso, os agentes notaram que a mesma não se fazia presente na esquadra e dirigiram-se até ao instituto onde, só não consumaram a detenção de Antónia por causa da intervenção do supervisor geral daquela instituição. Os efectivos do DIIP, na altura, também não estavam bem identificados, documentalmente.
"Logo a seguir, surgiu um investigador de nome Paulo, que se fazia acompanhar de uma notificação de arguido. Me obrigou a assinar e pediu para que eu fosse à esquadra", sublinhou.
No entanto, a estudante assim que chegou à esquadra, acompanhada do seu advogado, prestou declarações ao investigador Paulo e, posteriormente, no mesmo dia, foi presente ao Ministério Público.
"O Procurador tinha que orientar a minha colega que alega ter perdido a gravidez, a fim dela dirigir-se ao Laboratório de Criminalística do Serviço de Investigação Criminal (SIC), onde seria examinada e concretamente provar-se se houve, na verdade, um aborto provocado, mas isso não aconteceu", referiu.
Para a surpresa, disse, o Magistrado do Ministério Público não levou em consideração esse dado e optou por simplesmente proceder à detenção, tendo passado a noite na esquadra e, no dia seguinte, foi condenada a pagar 315 mil Kwanzas, sob ameaças psicológicas de que caso não pagasse o dinheiro ficaria detida por longos dias.
Dada as dificuldades, os pais da detida disseram que não tinham esse dinheiro para pagar a caução, tendo o procurador diminuído o valor para 70 mil kwanzas mais três mil e 500 adicionais da soltura.
"O meu tio ainda disse para não pagarmos, mas devido a pressão do procurador, tivemos mesmo que pagar os valores", ressaltou, referindo que o Procurador pediu a ela que fosse falar com a outra parte no sentido de se retirar a queixa, uma vez que já foi caucionada. Questionada se o fez, António respondeu que não vê a necessidade de ir atrás da mesma, sendo que já pagou a caução.
Apesar disso, o processo segue na esquadra sob o Nº 361/25.
A estudante garantiu que vai recorrer da medida, alegando que foi difamada e colocada nas celas injustamente, uma vez que não tinha necessidade de ser detida, além do próprio procurador confirmar que os testes da queixosa eram falsos.
Uma equipa do Na Mira do Crime deslocou-se até à esquadra 22 de Janeiro, a fim de contactar o Procurador visado, mas este não se encontrava no local de trabalho.
Do mesmo modo, este Jornal contactou, por via telefónica, a jovem Flora Cruz, com objectivo de ouvir a sua versão, mas ela disse que não poderia falar naquele instante porque se encontrava na via pública a caminho do trabalho, mas assegurou que falaria a qualquer altura.
Passadas mais de 48h, infelizmente já não atende o telemóvel







