Não há comida: Órfãos das primeiras vítimas de cólera em Cacuaco clamam por ajuda urgente
No mês de Janeiro do ano em curso, o Na Mira do Crime relatou os primeiros casos de cólera, onde três membros da mesma família (pai, mãe e uma filha), morreram, no bairro Paraíso, município de Cacuaco, em consequência da cólera que começava a assolar àquela circunscrição.
Por: Kihunga Bessa
Sob cuidados da avó materna, os filhos órfãos do casal, que pereceram por consequência da cólera, de 30, 24, 22 e 17 anos, clamam por ajuda devido às dificuldades que enfrentam todos os dias.
Na manhã desta segunda-feira, 12, Timóteo Mussunda Mufuki, de 22 anos de idade, penúltimo filho das vítimas, procurou o Na Mira do Crime para informar às dificuldades que enfrenta diariamente com os seus irmãos, com intuito de buscar ajuda.
“Desde a morte dos meus pais ficamos sob cuidados da minha avó materna, e abandonados pelo resto da família paterna… às coisas não estão fáceis”, pontuou.
Disse que a nossa maior dificuldade consiste na falta de alimentação, visto que dependem apenas do irmão mais velho, que faz biscatos, e às vezes também não consegue absolutamente nada.
“Dormimos a fome, porque além dos quatro netos, a avó tem a responsabilidade de criar dois bisnetos de 8 e 5 anos de idade, porque a mãe deles já morreu", declarou.
“Toda ajuda é bem-vinda, mas queremos um sítio para trabalhar, para ajudarmos a nossa avó e os sobrinhos órfãos", salientou.
Acrescentou que após a morte dos pais, a família recebeu algum apoio alimentar da Direcção Provincial da Acção Social e algumas pessoas singulares, como foi o caso do kudurista Mano Chaba, já falecido, e outras, que foram fundamentais para sobreviverem até hoje.
“Por causa das dificuldades que passamos, a minha irmã menor corre o risco de desistir da escola, porque além da falta da alimentação, falta dinheiro para comorar material escolar”, disse.
Outra preocupação que aflige aquela família, é a fossa que encontra-se degradada, e constitui um perigo para os mais pequenos.
"Para usar a casa de banho temos que pedir aos vizinhos, e isso já nos dá vergonha ", concluiu.







