Descontos anárquicos, sem segurança social, com sobrecarga horária, sem férias - Fábrica SANABEL acusada de maltratar funcionários
O colectivo de trabalhadores da empresa SANABEL, GROUP INDUSTRIAL.S.A, situada na zona do Kikuxi, no município do Kilamba, e que se dedica ao fabrico de bolacha de marca catalina, fuba de trigo catalina, fermento, massa alimentar, dentre outros produtos, acusa a direcção da instituição de os submeter aos maus maltratos de toda ordem.
Por: Cambundo Caholua
Segundo uma carta endereçada ao Na Mira do Crime por um grupo de trabalhadores da referida empresa, estes denunciam irregularidades na área de produção de biscoitos, alegando que no local tem se visto muitas baratas e ratos. Por este motivo nenhum trabalhador é permitido circular naquele local com um telemóvel para se evitar filmagens e, posteriormente, as imagens vazarem nas redes sociais.
O que parece mais grave, os funcionários lamentam que têm sidos trancados no interior da fábrica, onde consomem água inapropriada, proveniente de um tanque que não é higienizado, o que, de certa forma, tem causado sucessivos desmaios no seu interior.
Do mesmo modo, os denunciantes acusam a mesma direcção de fazer descontos nos ordenados dos trabalhadores para serem alocados ao Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), o que na prática não tem ocorrido.
"Fomos à segurança social e lá nos disseram que há três anos que a empresa não paga", ressaltaram.
Esclareceram que trabalham em regime de turno: um que trabalha das 07 horas às 19 horas, e o outro das 19 horas às 07, totalizando 12 horas de trabalho, sem usufruírem de uma folga ou repouso durante os horários de trabalho. Para preencher o pacote de sofrimento, “vão dizendo que ninguém tem direito de férias”.
"Esses estrangeiros fazem-nos sofrer, somos submetidos a um trabalho duro e sem descanso; definimos isso como escravidão moderna", realçaram.
Não é isso; denunciaram igualmente que não têm direito a subsídios de transporte, subsídio de saúde; são submetidos a trabalhar em condições precárias, as condições de acomodação para o turno que funciona durante a noite não são das melhores, e são despedidos por injusta causa e sem aviso prévio. Por outro lado, dizem que a empresa baixa os salários quando assim bem entender, sem ouvir ou negociar com o trabalhador.
"Há quatro meses que não nos pagam as horas extras, obrigam-nos a trabalhar aos domingos, quem assim não o fizer lhe é descontado um valor correspondente a 09 mil kwanzas do seu ordenado”, denunciam, acrescentando que na SANABEL trabalha-se todos os dias; não se respeita os feriados".
Na mesma senda, os trabalhadores denunciam que o Xerife fábrica, cidadão de nacionalidade libanesa e chefe máximo da área de produção, bem como os outros de nome Nezi e Mohammed, são os maiores incentivadores do racismo contra os colaboradores angolanos.
Denunciaram, de igual modo, o Baptista, secretário do chefe de área de produção, este é acusado de aplicar faltas inexistentes aos trabalhadores e, posteriormente, cobrar 35 mil kwanzas no sentido de estes não serem despedidos da empresa quando atingem 8 faltas. Ainda é acusado de cobrar 50 mil kwanzas a pessoas que queiram ingressar na empresa.
"O senhor Baptista, com o seu coração de pedra, obrigada os funcionários doentes a trabalharem, ao invés de dispensar os mesmos para terem assistência médica”, dizem, salientando que ele usa do seu poder para maltratar os funcionários, promover familiares e amigos com pouco tempo de trabalho", acentuaram.
Na mesma carta, os mesmos descobriram que a remuneração que é firmada nos seus contratos não é a mesma que auferem. Aqueles trabalhadores só sabem que do papel consta o salário básico de 72 mil kwanzas, quando com o subsídio de alimentação e das horas extras totalizariam 97 mil kwanzas mensais.
Uma equipa de reportagem do Na Mira do Crime deslocou-se, na manhã do dia 8, à fábrica SANABEL, a fim de contactar a direcção daquela empresa e ouvir a sua versão sobre as acusações. No entanto, o chefe dos Recursos Humanos, Éder Navalha, alegou que não poderia falar naquele instante, visto que os seus superiores não se encontravam na empresa para o autorizarem, sendo assim garantiu que falaria no dia seguinte. Passadas mais de 72 horas, aquele responsável continua em silêncio.







