Bispo da igreja Maná (JOSAFAT) acusado de abandonar filho que sofre de perturbações mentais
Uma anciã, de 64 anos de idade, que atende pelo nome de Margarida Marcelo, acusa o seu ex-marido identificado por Domingos Costa, Bispo da Igreja Maná (actual Josafat), de abandonar o filho de ambos, Edson Costa, de 42 anos de idade, que padece de transtorno psicológico e necessita urgentemente de cuidados especializados.
Por: Cambundo Caholua
Margarida que, actualmente, reside no município de Viana, bairro Militar, explicou ao Na Mira do Crime que o seu ex-marido, que também já exerceu o cargo de bispo nacional de Angola da igreja Maná, não se importa com o estado psicológico actual do filho.
Desde 2009 que a mesma foi buscar o filho na África do Sul, mas o bispo nunca se fez presente, pelo que ela apela por ajuda, uma vez que Edson tem sido muito agressivo.
O mais grave, explicou, é que tanto a mãe como os irmãos têm sido ameaçados de morte.
De acordo com a senhora Margarida, tudo começou no ano de 1992 quando o filho tinha oito anos de idade. O pai, na altura, se encontrava em missão religiosa na África do Sul, onde assumia a responsabilidade de bispo, a nível de África da igreja Maná.
No entanto, contou a nossa entrevistada, o bispo levou consigo a família, neste caso a sua actual mulher e os filhos da mesma relação, bem como Edson.
"Foi aí onde o meu filho contraiu a perturbação mental, que o assola já há quase 20 anos", realçou.
Visivelmente abalada e sem caminho a tomar, alegou que durante os anos todos que o filho viveu com o pai na África do Sul, a madrasta o agredia psicologicamente, além de que quando chegaram àquele país, o menino ficou por alguns anos sem ir à escola.
Mesmo assim, dizia à mãe que estava tudo bem. "Não vestia as melhores roupas, conforme o que os outros irmãos faziam; era discriminado pelos amigos, pelo facto de ser diferente na forma de se apresentar, em comparação com os seus irmãos", sublinhou.
"Tive sempre dificuldades de ter acesso ao miúdo, sempre que eles viessem de férias, apenas dava garantias de que o filho estava bem", conta a mãe, acrescentando que o mandato do pai do Edson havia terminado como bispo responsável da igreja Maná a nível de África, então ele e a mulher abandonaram aquele país, mas deixaram lá os filhos todos.
"Em 2009, à madrugada, recebi uma chamada do pai do menino a dizer que era melhor ir buscar o meu filho. A partir daí, o quadro da minha vida mudou, porque nem sequer tinha passaporte, mas tudo fiz para consegui-lo", disse.
Dona Maria descreveu que viajou para África do Sul e foi surpreendida com o internamento do filho num dos hospitais psiquiátricos daquele país.
Duas semanas depois, enquanto tentava criar condições para o filho continuar naquele hospital, eis que começou a ouvir as primeiras revelações.
O filho contou todos os maus tratos de que foi vítima, durante o período que viveu com o pai e a madrasta.
"Fui para a África do Sul e criei todas as condições para ele ficar no hospital psiquiátrico, onde estava internado. Para o meu espanto, comunicaram-me que ele já tinha alta médica e informei ao pai dele que reagiu friamente", informou, franzindo os sobrolhos, numa altura em que a médica da psiquiatria na África do Sul recomendou que ele tinha que fazer a medicação durante dois anos.
Posto em Angola, voltou a internar no hospital psiquiátrico de Luanda, onde começou a mostrar melhorias, mas o quadro clínico foi piorando devido aos medicamentos que o mesmo se recusava tomar.
Hoje, diz a mãe, aquele menino de oito anos, que agora conta com 42 anos, apresenta uma doença mental severa, uma vez que agride todo mundo.
Quando o quadro se agrava, recorre-se aos bombeiros e ao SIC para o apaziguarem.
Durante a reportagem da equipa do Na Mira do Crime naquela residência, foi possível presenciar alguns dos momentos ‘infernais’ que aquela mãe e outros membros da família têm enfrentado.
Ouvia-se ofensas, ameaças vindas do filho. O Na Mira do Crime tentou, por longos dias, contactar o suposto bispo da Igreja Maná, a fim de ouvir a sua versão, mas não foi bem sucedido.







