Administração sabe - Moscas e mau cheiro afugentam moradores dos Mulenvos de Cima, população recolhe 'lixo' em tudo quanto é canto para pesar
Os moradores do bairro Mulenvos de Cima estão a abandonar as suas residências por conta das moscas e do cheiro nauseabundo. Tudo começou há 01 ano, quando um jovem de nome Pambaleiro, de 38 anos de idade, decidiu abrir uma casa de pesagem de plásticos, alumínio e papelão, dando emprego aos vários jovens que se dedicavam à prática de roubos e lutas entre gangues.
Por: Soba Kateco
Até então, estava tudo bem, mas no decorrer do tempo, estes jovens, antes de serem empregados de Pambaleiro, compraram também as suas balanças e isso mudou o cenário, com o fluxo de balanças ao redor das residências. O negócio tomou proporções alarmantes com o lixo a se fazer presente em todo sítio. O local já é considerado o berço de muitas, como é o caso da cólera.
Os cidadãos de todas idades retiram o lixo do aterro sanitário e colocam-no próximo das residências, onde é seleccionado, pesado e embalado em sacos e posto em camiões que o levam até às fábricas de reciclagem.
No local, é visível o enorme movimento de entradas e saídas de camiões, carregando os resíduos sólidos.
Enquanto para alguns é bom negócio, para os moradores é um grande incómodo, pois, com o cheiro nauseabundo, não conseguem ficar no quintal de casa, por conta das moscas.
A situação até foi minimizada com a colocação de mosquiteiros. As cozinhas, nalguns casos, já não desempenham o seu papel, pois os alimentos são confeccionados nos quartos, conforme contou uma moradora que vive no bairro desde 2010.
"Nunca vi coisa igual aqui em Luanda; apenas em Benguela por intermédio de uma reportagem televisiva", asseverou.
A situação já é do conhecimento da administração que, segundo moradores, só aparece para fotografar e vai embora.
"Pedimos ajuda das autoridades para que a situação seja resolvida o mais depressa possível", suplicou um ancião de 85 anos.
Por ser um lugar fora das localidades, a equipa de reportagem do Na Mira do Crime teve muitas dificuldades em conseguir entrevistas, pois os moradores temem represálias dos donos das placas de peso, protegidos por agentes da Polícia Nacional e do SIC.
Aliás, é proibido o uso de telefone no local ou de gente estranha.
A equipa do Na Mira do Crime pôde constatar in loco que, no local, são servidos alimentos, retirados do aterro, também conhecido por Lixão, com todos perigos e consequências à vista.
Ao telefone, o Comandante Municipal da Polícia dos Munlevos, Binza, assegurou que o assunto é de seu domínio e que, todos os dias, faz-se ao local para pôr fim a essa prática, porque desde que a grelha de protecção do quintal do aterro sanitário foi destruída começou o sofrimento da população que vive próximo.
Para ele, tudo passa pela reposição da grelha de protecção por parte da Elisal a fim de minimizar a situação.
A equipa de reportagem deste Jornal contactou o director de Comunicação Institucional e Imprensa do município dos Munlevos, Tiago, que prometeu retomar a chamada, sem no entanto honrar a sua palavra.







