Sambizanga - Jovem é queimado com gasolina por deixar perder um "par de tênis"
Marcelino Tavares, um jovem de 23 anos de idade, residente na rua da Grécia, bairro da 12 de Julho, município de Sambizanga, foi queimado com gasolina pelo seu vizinho, Emílio, por deixar perder um par de calçado tênis, que custa 7 mil Kwanzas.
Por: Cambuta Vieira
Francisca Eduardo, mãe da vítima, contou que o jovem proprietário do par de tênis havia dado dois pares de calçados para o Marcinho lavar. Este levou-os até à sua casa, onde os lavou, tendo secado apenas um par que fez chegar ao dono, enquanto o outro par foi roubado no tecto, onde tinha colocado para fazê-lo secar.
A mãe disse que ainda chegou de ver o par de tênis em sua casa, mas não sabia que, depois, foi roubado. "Na terça-feira, 20, o acusado identificado por Emílio, veio até à minha casa, mas acompanhado de um bidon de 1,5l de gasolina e uma caixa de fósforo, dizendo que estava à procura do Marcinho e se o apanhasse, queimá-lo-ia", prometeu.
A progenitora, preocupada, pediu que negociassem, tendo o acusado alegando que o par de calçado custa 7 mil kz. Mesmo assim, mãe prontificou-se a pagar, e ficou acertado que tudo correria sem incidentes; tal é assim que a vítima chegou minutos depois, e aí aconteceu o abraço, simbolizando paz.
"Em pouco tempo, apareceu um jovem a dizer que o Marcelinho foi queimado, mas eu ignorei, porque já havíamos chegado a um acordo. Depois de 5 minutos, apareceu o irmão a dizer que a casa da tia Aida pegou fogo, e estão a dizer que o Marcelinho está lá dentro", afirmou, aos prantos, reforçando que ficou preocupada ao se deparar com o filho "todo queimado, ao ponto de os braços não mais de mexerem".
"O meu filho disse que o Emílio lhe atirou gasolina, quando o candeeiro estava aceso ao lado, pois a casa não tem energia eléctrica, tendo as chamas se espalhado pelo corpo todo", disse.
O que a mãe da vítima não compreende é o facto de a família ter prometido restituir o dinheiro correspondente ao preço do calçado roubado e mesmo assim terem queimado o seu filho.
O jovem foi socorrido para o centro de saúde, localizado na rua 12 de Julho, e de lá foram transferidos para o hospital especializado, Neves Bendinha.
Marcelinho encontra-se em estado crítico na sala dos cuidados intensivos, não fala e não está recebendo visitas.
O rapaz em coma se dedicava a pequenos trabalhos domésticos em casa da dona Aida, mãe do acusado.
Depois do incidente, a casa do acusado foi vandalizada, tendo resultado em ferimentos aos seus moradores; um tumulto que terminou graças à intervenção da polícia que fez vários disparos.
A equipa deste jornal deslocou-se até ao referido bairro, onde foi possível constatar a polícia a fazer ronda. Seguiu até à casa do acusado, mas foi informada que a proprietária tinha abandonado a casa, em função da ocorrência.
O porta-voz da polícia em Luanda, superintendente-chefe Nestor Goubel, disse que " elaborou-se o expediente, e as diligências prosseguem para localização do cidadão a monte e posterior a sua detenção".







