Direcção fala em 03 semanas - Serviço de ressonância do hospital Cardeal Dom Alexandre do Nascimento paralisados há mais de 05 meses
O Complexo Hospitalar Cardeal Dom Alexandre do Nascimento, especializada no tratamento de doenças cardio-pulmonares, está há mais de 05 meses sem os serviços de ressonância, devido a uma avaria, o que deixa os utentes preocupados e sem muitas soluções. A direcção do hospital desdramatiza a situação e esclarece que tais serviços estão paralisados há 03 semanas e não há motivos para preocupação, porque os pacientes recorrem ao Hospital Mártires do Kifangondo.
Por: Solange Figueira
A unidade hospitalar está vocacionada para o tratamento de pacientes com doenças cardio-pulmonares e conta com 3.246 profissionais de saúde, distribuídos em cinco edifícios. Porém, denunciantes contam que a ausência dos serviços de ressonância, por mais de 05 meses, já causou várias mortes, tudo porque o aparelho está avariado.
A ressonância magnética é um tipo de exame de imagem que usa um forte campo magnético e ondas de rádio de frequência muito alta, para produzir imagens extremamente detalhadas. Durante uma ressonância magnética, um computador regista alterações no campo magnético ao redor do corpo da pessoa para criar imagens transversais detalhadas. Diferente de outros exames de imagem como o Raio-X, a ressonância magnética não usa radiação ionizante, tornando-a uma opção segura para diversas aplicações.
Acusadores alegam também que, apesar do hospital ter várias especialidades, as autoridades não mostram interesse em resolver o problema do aparelho de ressonância, que está a causar a morte de vários pacientes.
As especialidades atendidas no complexo hospitalar são: cirurgia cardíaca, vascular e torácica, cuidados intensivos, neurologia, cardiologia, pneumologia, angiologia, obstetrícia, pediatria, medicina interna, endocrinologia, nefrologia, gastroenterologia, alergologia, reumatologia, infecciologia, oftalmologia, otorrinolaringologia e urologia.
Segundo Maria Afonso, a sua mãe foi paciente do complexo Hospitalar. A falta de exames de ressonância magnética fez com que o seu estado de saúde da mesma agravasse. "A minha mãe foi paciente deste hospital, fez consultas de imagiologia e precisava fazer o exame de ressonância, mas passaram vários meses ela não o fez o exame, porque o Hospital nos disse que o aparelho estava estragado”, disse, referindo-se a relatos de ter havido pessoas que morreram à espera do exame.
António Francisco, também paciente, não entende por que razão os pacientes com esse problema são todos transferidos para esse hospital, em vez de serem transferidos para outras unidades hospitalares. "Este Hospital foi reabilitado há 4 anos; também sou paciente de imagiologia. Uma vez, vim aqui em estado grave, e não me atenderam por não ter apresentado o documento de transferência de um outro Hospital.
Conta que apesar de haver um Banco de Urgência, mandaram-lhe regressar para casa. “Fiquei frustrado e fui embora, mesmo doente” informou António que questiona o paradeiro dos serviços de humanização.
A nossa equipa de reportagem deslocou-se até ao Complexo Hospitalar de Doenças Cardio-Pulmonares, Dom Alexandre do Nascimento. A direção do Hospital confirma que realmente o aparelho de ressonância magnética está avariado, não há 05 meses, mas há cerca de 3 semanas, e que nunca deixaram nenhum paciente sem fazer exames.
A direcção explicou que o serviço de imagiologia é um serviço que faz as imagens, composto por outros exames que estão todos a funcionar. “Ninguém pode morrer por falta de ressonância; as pessoas que fazem este exame são específicas, nem todos os pacientes fazem este exame. Atendemos os pacientes todos os dias. Quando o nosso aparelho de ressonância magnética estraga, transferimos os pacientes para o Hospital Mártires do Kifangondo e vice-versa”, explicaram.
Informou também que aqui em Luanda, há apenas dois hospitais que fazem ressonância. “A peça que falta no aparelho é uma placa, que vem da Alemanha; estamos à espera que chegue”, aclarou, sublinhando que naquela unidade hospitalar nunca morreu ninguém por falta de exames.







