Vela mata 02 membros da mesma família em incêndio na Mabor
Dois dos quatro membros da mesma família, nomeadamente Júlia Alegria Nzolamesso, de 22 anos de idade, e Manucho Ndozi Nzolamesso, de 19 anos de idade, vítimas do incêndio causado por uma vela ocorrido no passado dia 20 de Maio, enquanto preparavam refeições em plena luz do dia, no bairro Gesso, zona da Mabor, Distrito Urbano do Kima Kieza, faleceram após o agravamento do seu quadro clínico, no Hospital Neves Bendinha.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Em declarações ao Na Mira do Crime, o pai das vítimas, Lando Lunanga Nzolamesso, informou que o incêndio ocorreu por volta das 17 horas e 40 minutos, na rua da pracinha da Siere Madó, e resultou em queimaduras em três seus filhos, dois do sexo masculino e uma do sexo feminino, além da neta de três anos de idade, filha da malograda Júlia Alegria Nzolamesso.
Segundo o pai, Manucho Nzolamesso faleceu na madrugada de terça-feira, 27 de Maio, e, na quinta-feira, 29, Júlia Alegria Nzolamesso também veio a falecer.
"Um dia antes, ainda conversei com o meu filho Manucho e com a Júlia. Fui até onde estava a filha dela, mas, infelizmente, primeiro foi o Manucho, depois morreu a Júlia. Não sei o que fazer", lamentou.
Segundo dados hospitalares, permanecem internadas, sendo que a menina de três anos de idade, diagnosticada com 37,15% da superfície corporal queimada, e um menino de sete anos, com queimadura térmica de grau A+AB, atingindo 10% da superfície corporal.
"Nem eles conseguiam explicar o que aconteceu, mas não houve explosão de botija de gás. Estavam a preparar o jantar num fogareiro e não havia botija em casa. As pessoas que os socorreram também não sabem, ao certo, o que provocou o incêndio", revelou o pai.
A senhora Júlia, vizinha que participou do socorro às vítimas, contou que percebeu da situação devido ao fumo que saía da residência.
"Os vizinhos arrombaram a porta e as janelas, conseguiram tirar os dois adultos, mas a moça gritava, alertando que havia crianças dentro de casa. Depois de serem socorridas, vimos a vela colocada no chão", contou.
Lando Nzolamesso, que trabalha como alfaiate, relatou à nossa reportagem que tem enfrentado momentos difíceis desde o internamento dos filhos e da neta. "Graças a Deus, os vizinhos têm-me ajudado. Quando chegam às visitas, levam algo para eles comerem e aproveitam cuidar deles, porque já não tenho esposa e também tenho dificuldades de locomoção", explicou.
Acrescentou que não tem condições de realizar o óbito e espera apoio das autoridades governamentais e não só. "Tenho pouca família em Luanda e não tenho mesmo nada. Peço ajuda da administração do Cazenga, das igrejas e de todos os que puderem estender a mão, pelo menos, para realizar o óbito", clamou.







