“Quer fazer o papel do Estado” - Coordenador do bairro Para-Peito acusa administração e a Polícia de o perseguir e humilhar no Sequele
Nos últimos meses, o Jornal Na Mira do Crime tem publicado várias matérias, relatando problemas sociais do bairro Para-Peito, conhecido também como Ponto 3, que está situado no município do Sequele. A população alega que o bairro existe desde 1972, porém, não tem hospitais, escolas públicas e esquadras policiais. O seu coordenador arranjou um terreno que ofereceu ao Estado no sentido de contruir nele escolas, hospitais e esquadra policial, um acto que as autoridades reprovam por ser de exclusiva responsabilidade do Estado
Por: Solange Figueira
Face aos problemas expostos, os marginais tomaram conta do bairro, elevando o índice de criminalidade, consubstanciado em assaltos em residências, na via pública e em assassinatos.
Recentemente, o Jornal Na Mira do Crime recebeu uma denúncia feita por um dos coordenadores do bairro, Amilton Bráulio, de 40 anos de idade, que acusa a Administração e o Comandante da Polícia do município do Sequele de perseguir, intimidar, ameaçar e oprimir os moradores.
Depois de ouvir a denúncia, uma equipa de reportagem deste jornal deslocou-se até ao bairro Para- Peito. Ouviu o coordenador que disse estar nesse cargo desde 2013.
Ele afirmou que tal facto de perseguição e ameaças acontece desde que, por iniciativa própria, em conjunto com os moradores, indicou um espaço para o Estado construir nele uma escola pública, um hospital, uma praça e uma esquadra policial.
Segundo o Coordenador Amilton, ao tentar resolver todos os problemas, quase foi baleado por um marginal, ao pé de uma cantina. Porém, teve a sorte de o tiro passar no meio das pernas. Na manhã de sábado, o coordenador organizou uma equipa composta por moradores que decidiram limpar o aludido terreno.
Para sua surpresa, apareceram três polícias armados em três motorizadas, chamaram-no pelo nome e, seguidamente, deram-lhe voz de prisão. "Estou a fazer uma denúncia pública, temo pela minha vida, estão a me perseguir, a me oprimir e a me ameaçar desde o ano passado", denunciou, sublinhando que a administração e comandante do Sequele têm-no como invasor e membro da oposição, por estar a defender os interesses dos moradores.
"Eu sou do partido que está no poder; minha missão é ajudar a população do meu bairro a se livrar da criminalidade. O terreno que estávamos a limpar não era para mim, é indicado para o Estado construir uma praça, esquadra, hospital e escola", explicou.
Ele jura que nunca vendeu terreno a ninguém. "Não é a primeira vez que tentam me prender", assevera, lembrando que o comandante da polícia lhe fez ameaças por querer resolver os problemas do seu bairro. "Só faço o que o povo me pede; eles não vivem aqui, não sentem o nosso sofrimento", enfatiza.
Foi informado que a ordem para o prender vem do Governador Jacob, do Icolo Bengo, facto que considera um embuste.
A nossa equipa de reportagem entrou em contacto com a administração municipal do Sequele. Falou ao telefone com a senhora Elizionete da Conceição, Administradora Adjunta para Área Política, social e comunidade, que diz que, por causa de questões políticas, alguns coordenadores foram orientados a causar instabilidade. "O Senhor Amilton é cotado como um invasor; nós lemos uma matéria do vosso jornal sobre quando ele quase foi baleado. Ele relatou os factos, mas esqueceu de dizer que fui eu quem o ajudou. Pedi ao comandante para lhe atender. Temos conhecimento do espaço que ele indicou para a esquadra, porém já o aconselhei várias vezes a fazer um documento, a requerer o documento para a administração. Muitos coordenadores estão a invadir bairros novos e depois dizem que são antigos", reagiu.
Também entramos em contacto por via telefónica, com o Comandante da Polícia do Sequele, que se apresentou com o nome de Wafutuca. Este mostrou -se visivelmente furioso em falar sobre o assunto. Em um tom ameaçador, disse: "A Jornalista tem a certeza desta denúncia? Vocês não têm que ouvir este coordenador, ele é um invasor, coordenador não corta terreno ele está a medir os terrenos para vender, este camarada é um brincalhão, ele não sabia que hoje eu estava lá quando os três polícias o abordaram a limpar o terreno com os moradores. Eu estava lá também a civil, o fotografei enquanto ele estava com fita métrica a medir os terrenos", provou, salientando que o Estado é uma pessoa de bem, a Polícia também, um coordenador, não pode organizar nenhum espaço, para a Esquadra, Hospital, Praça e Escola, quem faz isso é o Estado, ele não tem legitimidade para isso.







