"Amarrado e jogado numa sala suja": Familiares acusam equipa médica do Hospital Geral de Luanda de negligência na morte de um paciente
Um cidadão nacional que em vida respondia pelo nome Domingos Joaquim José António, de 49 anos de idade, residente no bairro do Benfica, município de Belas, morreu na madrugada de sexta-feira, 20, no Hospital Geral de Luanda, depois de supostamente ser negligênciado pela equipa médica em serviço.
Por: Cambuta Vieira
Segundo relatos do irmão do malogrado, Eurico José António, a vítima já se encontrava doente, e havia sido internado durante dois meses no hospital CETEP, localizado no município de Calumbo, província de Icolo e Bengo, onde foi diagnosticado com tuberculose.
Depois de receber alta médica, contou o nosso entrevistado, o doente seguiu com o tratamento em casa, mas, em função dos poucos cuidados, teve uma recaída na tarde de quarta-feira, 18.
"Assim que começou a passar mal, foi levado ao Hospital Geral de Luanda, por volta das 22 horas, no banco de urgências, foi recebido em estado crítico, e meteram-no em uma sala onde não havia condições humanas para doentes", declarou.
Acrescentou que o seu irmão foi colocado numa sala onde estava sozinho, e por cima da maca só havia papelões, respirava por intermédio de oxigénio, sem lençóis, "a sala estava completamente suja", denunciou.
Nas primeiras horas do dia seguinte, isto na quinta-feira, 19, por volta das 05 horas, momento de visitas matinais, "encontramos o nosso irmão em uma situação lastimável, sem roupa, completamente nu, o soro todo havia caído no chão, lhe tiraram os lençóis, estava amarrado nos pés e nas mãos, dando a entender que o nosso irmão não estava a ser cuidado como outros pacientes", lamentou.
"Questionamos os enfermeiros, eles disseram que o meu irmão foi atendido de madrugada, recebeu um balão de soro e uma bolsa de sangue. Na tarde de quinta-feira, às 15 horas, lhe encontramos outra vez amarrado, nas mãos, nos pés e também amarraram-no com lençóis na região da barriga, então fizemos um vídeo, e fomos ter com uma médica, que tratou-nos com arrogância, alegando que podíamos fazer o se queixar onde bem entender", queixou.
"O meu irmão sofria de epilepsia, nós reconhecemos que o nosso irmão estava mal, mas aquelas condições eram desumanas para um paciente", denunciou.
Miclina António, filha do malogrado, fez saber que na tarde de quinta-feira, ao se deparar com as condições desumanas em que estava submetido o seu pai, foi ter com uma enfermeira, responsável do banco de urgências naquela dia, mas, infelizmente, disse, foram tratados mal, com arrogância, gritos e escorraçados.
"Isso não se faz, o meu pai ainda estava vivo, nós imploramos pelos cuidados, porque tínhamos esperança, temos certeza que se o hospital tratasse bem o meu pai, ainda estaria vivo ", chorou.
Renato António, outro filho do malogrado, disse que na manhã de sexta-feira, 20, foram até a sala para visitar o seu pai, e encontraram a sala toda limpa, sem vestígios de nada, procuraram saber de um enfermeiro o que se passava, e lhes foi informado que o senhor Domingos já estava morto.
"Não temos um diagnóstico exacto, não sabemos a causa da morte do nosso pai, para o nosso espanto, o nome dele não constava na lista de registo de paciente desde quinta-feira, mas, quando demos entrada na quarta-feira, fizemos o registo, porque é um regra geral", observou.
Na sexta-feira, por volta das 14 horas, o corpo foi transferido para a Morgue Central de Luanda.
"Às 15 horas de sábado, a recepção do hospital ligou-nos a pedir os dados do malogrado, alegando que o registo do seu internamento perdeu, não conseguimos entender a seriedade de um hospital com essa dimensão, deixando-nos condicionados sobre o dia do funeral. Queríamos enterrar na segunda-feira, mas infelizmente não conseguimos, porque só no domingo o hospital chamou a família não para dar uma explicação sobre o sucedido, mas apenas para entregar a certidão de óbito", deplorou.
A equipa deste jornal deslocou-se até ao Hospital Geral de Luanda, na tarde desta segunda-feira, 23, para ouvir o contraditório, depois de mais de uma hora a espera, o director clínico encaminhou o caso ao diretor geral, este, por sua vez, reencaminhou de novo ao director clínico, este último disse que não estava disponível para falar sobre o assunto no momento.
Domingos vai hoje a enterrar no cemitério do Benfica e deixa três filhos.







