'Escravizada' pela "mãe de criação" e pelo marido Polícia – Menor de 11 anos teve o corpo queimado com chá quente e passou dias sem comer
Efectivos da direcção provincial do Serviço de Investigação Criminal, através do seu departamento do município de Kilamba Kiaxi, detiveram, na tarde de quarta-feira, 18, uma cidadã de 33 anos de idade, que responde pelo nome Maria Francisco, residente no bairro do Golfe 2, implicada nos crimes de agressão física e cárcere privado contra uma menor de 11 anos de idade.
Por: Cambuta Vieira
O porta-voz do Serviço de Investigação Criminal, Fernando de Carvalho, fez saber que, por intermédio de uma denúncia, a direcção provincial do Serviço de Investigação Criminal mobilizou os seus operativos que se deslocaram até ao Golf e comprovaram a veracidade da denúncia, tendo culminando na detenção de uma cidadã implicada nos crimes de agressão física e cárcere privado contra a referida menor.
Laura Augusto Manuel, mãe da menor, disse que a menina vivia com ela no Cuanza-Sul, até que a sua cunhada, irmã do esposo, decidiu pedir a menor para viver consigo em Luanda para tomar conta dos seus filhos.
"Eu não a conheço, apenas falamos ao telefone, não sei nada sobre a senhora, sempre que perguntava a minha cunhada sobre a menina, dizia que estava boa, nunca desconfiei de nada", contou, aos prantos.
A mãe, em acto contínuo, disse que nunca veio a Luanda visitar a filha, em função das circunstâncias da vida, pois o seu marido encontra-se detido desde 2023, e que perdeu alguns membros da família. Por essa razão, não tinham condições para deslocar-se à capital do país.
Por sua vez, Maria, a agressora, contou que a menina chegou à sua casa há 3 anos, por intermédio da sua amiga, por sinal tia da vítima, com a pretensão de estudar e fazer companhia aos seus filhos menores.
A acusada alegou que só bateu nela uma vez, e que as queimaduras são frutos de um acidente doméstico. "Ela havia se queimado na cozinha, a jarra de chá quente caiu por cima dela", afirmou.
Entretanto, a menor revelou para a equipa deste jornal que era constantemente agredida fisicamente “pela mãe e pelo seu marido, já não estudava, porque os pais de criação não pagavam as propinas, chegava a passar dias sem comer nada”.
Naza Vidal, patroa da agressora e denunciante, disse que conheceu a acusada nas redes sociais há dois anos e decidiu inseri-la na sua equipa de trabalhadores no ramo de buffet.
"Na manhã do passado dia 17, ela me ligou aflita a dizer que a filha de criação estava desaparecida, e pedi-lhe que participasse o caso à polícia", frisou.
No dia seguinte, ela voltou a ligar de novo, mas toda aflita, dizendo que a polícia queria prende-la.
“Sendo minha trabalhadora, preocupei-me e accionei a minha advogada para ir ao encontro dela.
A advogada, assim que manteve contacto com a agressora e com a menina, achou estranho o comportamento da menina, e pediu que fossem a fundo da situação, “porque algo estava estranho".
Dias depois, contou, "liguei para ela e pedi o endereço de sua casa, chegando à casa dela, a menina estava toda trémula e chorava tanto. Pedi que a dona Maria nos deixasse a sós na sala de sua casa”, intimou.
No decorrer da conversa, descobriu que a menina era agredida fisicamente; o corpo todo tinha sinais de queimadura, e disse-me que foi a mãe que tinha atirado chá quente sobre o corpo.
“Liguei de imediato para o INAC que, prontamente contactou a polícia, tendo a acusada sido detida”, relatou.
Já na casa da agressora, ficou-se a saber que o marido é efectivo da Polícia Nacional, ambos têm agredido fisicamente a menina.
Naquele dia, a menor fugiu porque tinham batido muito nela, e já não aguentava mais com a coça, pelo que decidiu sair de casa.
Naza Vidal afirmou ainda que no decorrer das suas investigações, descobriu que há uma outra menina registada em seu nome, como mãe, e no nome do senhor Jeremias, como pai, que é efectivo das FAA, que tem dado mesada pensando que a vítima é a sua filha.
O porta-voz assegurou que diligências continuam para se averiguar outros presumíveis casos, tendo aconselhado os pais a saberem exactamente a quem entregar os seus filhos, independentemente das circunstâncias.
"Os filhos devem permanecer com os pais, porque tem se dito, quem vê cara, não vê coração", aconselhou o responsável.







