No Cazenga: Jovem de 25 anos levado em parte incerta há oito dias por supostos efectivos do SIC
Supostos efectivos do Serviço de Investigação Criminal, colocados no município do Cazenga, estão a ser acusados de retirar em casa e levado em parte incerta, um cidadão, de 25 anos de idade, que atende pelo nome José Bartolomeu Luiz, isto desde a madrugada da última quinta-feira, 19, no bairro Curtume. Passados oito dias, a família diz-se aflita, e exige explicações por parte das autoridades.
Por: Augusto dos Santos
De acordo com o tio do jovem, Cristóvão André, tudo começou quando a família já se encontrava a dormir, e de repente foram surpreendidos por elementos identificados como efectivos do SIC.
Conta que, para além do sobrinho, também foi levado um outro jovem, inquilino da residência, identificado apenas por Pepy.
"O meu sobrinho foi tirado de casa às duas horas da madrugada, pelos homens do SIC, com o meu inquilino que se chama Pepy", começou por contar.
"Estava eu em casa, a minha mãe, um primo e o meu sobrinho pequeno. Eles têm os seus quartos fora, logo que os agentes do SIC chegaram foram ao quarto do meu inquilino e perguntaram por um jovem de nome Moreise, estavam a procura desse indivíduo", prosseguiu.
André, alegou que os supostos agentes, naquela madrugada, estavam a ser transportados por duas viaturas, uma de marca Toyota, modelo Land Cruiser, de cor branca, e uma Toyota Hilux.
"Eles logo que pegaram o meu sobrinho e o inquilino, nos seus respectivos quartos, colocaram-lhes num cantinho. Depois bateram a nossa porta da casa grande, onde estávamos, identificaram-se como agentes, estavam com uniformes e passe do SIC", revelou.
Acrescentou que depois, os mesmos retiram-se e levaram os dois jovens. No entanto, disse que a família ainda tentou seguir as viaturas até um certo ponto, mas não conseguiram alcançá-los.
"Corremos atrás das viaturas e já não apanhamos, nem conseguimos tirar as matrículas, mas eles estavam identificados com passe e coletes do SIC", descobriram.
O nosso entrevistado, apavorado com a situação, sublinhou que já se passam oito dias desde que o seu sobrinho foi tirado de casa e levado para lugar incerto.
Disse ainda que, durante os últimos dias, foram para comando municipal do Cazenga, na esquadra do Antenov, bem como na esquadra do Km-9, em Viana, e outras, no sentido de saber se o seu familiar estaria naqueles locais.
"Fomos a estas esquadras todas, mas no Comando do Cazenga nos disseram que quem fez a operação naquela madrugada foram os efectivos de Viana".
Disse ainda que quando chegaram a mesma esquadra, no caso Km-9, estes responderam que não realizaram operação naquele dia no território do Cazenga.
"Continuei a procurar, é quando nos apercebemos do corpo de um jovem no município dos Mulenvos, no bairro 6, quando perguntei as suas características logo deduzi que era o Papy, o meu inquilino".
Acrescentou que foi à morgue do Maria Pia, onde acabou por confirmar o corpo do referido jovem.
Já Bartolomeu, o sobrinho, disse, continua em local incerto, a família não sabe o que aconteceu de concreto com o jovem.
Questionado sobre a conduta social do seu sobrinho, o tio respondeu que o mesmo não era de andar à toa, nem gostava de lutas e grupos de marginais.
"Ele está a frequentar o último ano do curso de Farmácia, no Instituto Superior Kalandula, é um bom aluno, não luta, não rouba. Posso afirmar que o meu sobrinho é um bom rapaz ", garantiu.
"Apelamos que nos mostrem onde está o nosso familiar, queremos saber qual é o estado dele, queremos saber como está nesse momento, ele tem um filho precisa cuidar. Por outra, é muito dinheiro gasto na universidade", exigiram.
O Na Mira do Crime sabe que a família abriu uma participação no SIC-Luanda, onde aguardam o número do processo e uma resposta sobre o desaparecimento do jovem de 25 anos de idade.
O Na Mira do Crime contactou um responsável do SIC, para contraditório, que garantiu se pronunciar nos próximos dias.







