Principal testemunha está em parte incerta: Tribunal da Comarca de Luanda adia julgamento de cidadã acusada de matar o marido
O Tribunal da Comarca de Luanda suspendeu, nesta segunda-feira, 30, para o dia 11 de Julho do ano em curso, pelas 9 horas, o julgamento da cidadã Anastácia Joaquim Pereira, de 34 anos de idade, acusada do crime de homicídio qualificado, ocorrido no dia 22 de Abril de 2024, no Luanda Sul, município de Viana, onde a vítima é o cidadão Leonildo Costa de Carvalho, de 73 anos de idade, seu marido, encontrado morto no interior do tanque de água da residência do casal.
Por: Adão Manuel
A primeira audiência teve início por volta das 12 horas e 45 minutos, sob a presidência do juiz António Viareke Cândido.
Durante o interrogatório, a acusada, que está presa e em situação de excesso de prisão preventiva, há 14 meses, informou que no dia dos factos saiu de casa às 9 horas e se dirigiu ao banco, para tratar de um assunto familiar, tendo deixado o esposo em casa, assim como o empregado, jardineiro, identificado como João Saca Jamba.
Disse ainda que, por volta das 12 horas, regressou à casa com o intuito de confeccionar a refeição do marido, mas ao chegar, notou a ausência tanto do esposo quanto do empregado, com as portas da residência totalmente abertas.
"Procurei em todos os compartimentos da casa e não o vi ninguém, então liguei para o telefone dele, mas estava desligado. Então decidi ir à esquadra participar o caso", disse.
Acrescentou que, diante da situação, ligou para o jardineiro, que apenas apareceu em casa por volta das 15 horas.
Juntos, com o auxílio de um agente da Polícia Nacional que também estava na residência, continuaram as buscas.
No dia seguinte, o Serviço de Investigação Criminal (SIC) fez-se presente ao local, recebeu os cartões multicaixa e as chaves dos imóveis e, posteriormente, intensificou as buscas, tendo encontrado o corpo da vítima num dos tanques de criação de peixes no interior do quintal.
Salientou que, em seguida, ambos foram levados como principais suspeitos do crime até ao Comando Provincial, onde, por volta das 22 horas do mesmo dia, foi ouvida pelo instrutor processual do SIC.
Desde então, afirmou, não sabe mais sobre o paradeiro do seu empregado, que se encontrava na residência no momento dos factos.
Ouvindo atentamente as declarações da acusada e sem ouvir os declarantes, o juiz da causa decidiu suspender o julgamento para a data acima referida.
Falando ao Na Mira do Crime, Sebastião Francisco, advogado de defesa, mostrou-se insatisfeito com a posição do juiz, pelo facto de o jardineiro não ter sido constituído arguido, uma vez que ficou com a vítima no dia do crime.
Realçou ter convicção de que não há provas que incriminem a sua constituinte.
Alberto Monteiro, tio da acusada, também manifestou indignação com a forma como o processo está a ser conduzido e considerou uma injustiça, o facto de a sua sobrinha estar a cumprir excesso de prisão preventiva.
Este jornal procurou ouvir um dos familiares da vítima, mas sem sucesso.







