Administração do mercado do Kicolo acusada de rejeitar retirada de lixo: Moradores afirmam que a situação tem causado a proliferação da cólera
Moradores adjacentes ao mercado do Kicolo, em Cacuaco, manifestam profundo descontentamento com o acúmulo de lixo na área, o qual, segundo explicam, para além do mau cheiro intenso, representa um verdadeiro atentado à saúde pública, os residentes sublinham que a situação tem contribuído para a proliferação de casos de cólera, em consequência directa do armazenamento inadequado de resíduos sólidos.
Por: Solange Figueira
O lixo está armazenado, propriamente, no interior do mercado, atrás da zona onde se comercializa madeira.
Taxistas, vendedores e lotadores mostram-se igualmente indignados com o convívio diário com os resíduos no local.
A população apela à intervenção urgente da empresa responsável pela recolha de lixo, no sentido de se encontrarem alternativas viáveis para o depósito de resíduos, de forma a prevenir a propagação de outras doenças associadas ao saneamento inadequado.
De acordo com a senhora Ana, vendedeira há vários anos no local, comercializa bebidas como gasosa e água próximo ao ponto de despejo, disse que a escolha do espaço para depósito de lixo é questionável.
“Não entendemos como é que um quintal fechado, dentro do próprio mercado, pode ser o ponto de recolha de lixo. Vendemos com moscas a rodear-nos, crianças brincam aqui, recolhem comida no lixo, e muitas delas já apanharam cólera”, relatou.
Ana frisou ainda que “reclamamos várias vezes à Administração do Mercado do Kicolo, mas até agora nada foi feito para resolver a situação.”
João Neto, lotador de táxi, afirma que trabalha na Paragem do Paraíso há seis anos e que o problema do lixo sempre existiu desde então.
“Todos os vendedores deitam o lixo aqui, até moradores do bairro mandam as crianças para despejar lixo a qualquer hora do dia. Foi o próprio mercado que habituou as pessoas a usarem este quintal como aterro", atirou.
Em dias de grande acúmulo, os taxistas são obrigados a sair do quintal e operar na rua.
No tempo chuvoso é pior, o cheiro, os insectos e os bichos tornam o ambiente insuportável.
O secretário provincial do Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA), Augusto António, expressou igualmente a sua indignação.
Esclareceu que o ponto de lixo está localizado nas proximidades de um Colégio Privado de Saúde, o que agrava ainda mais a situação sanitária.
“Estamos perante uma situação caótica, já denunciamos este problema várias vezes.
Os alunos do colégio convivem diariamente com o mau cheiro, em frente ao aterro há ainda uma padaria, onde se vende pão cercado por moscas, larvas e outros insectos. Os fiscais do mercado só se preocupam em cobrar fichas. O lixo, que deveria ser prioridade, é ignorado. Aqui morre-se de cólera, os dirigentes não vivem aqui, estão a matar-nos aos poucos”, frisou o representante do MEA.
Após recolher os depoimentos dos moradores, a nossa equipa de reportagem deslocou-se até à Administração do Mercado. Em entrevista, o administrador, Timóteo Malangua, confirmou a existência do problema e esclareceu os motivos da escolha do local para depósito de lixo.
“As denúncias são reais, aquele espaço foi, de facto, definido para armazenamento de lixo proveniente de todo o mercado. Os taxistas é que invadiram e passaram a usar o local como paragem. A nossa intenção era fechar o quintal com um portão”, explicou o administrador.
Malangua sublinhou ainda que o mercado e o bairro não dispõem de contentores adequados.
"A empresa Elisal recolhe o lixo regularmente, a cada três dias, quando o local está limpo, os taxistas entram novamente e voltam a usar o espaço como paragem, estamos a requalificar a Via da Kianda, que se encontra encerrada", disse.
O responsável frisou que “já houve ocasiões em que o lixo ficou tanto tempo acumulado que os carros não conseguiam entrar.
A nossa prioridade é resolver este problema, mas é preciso que a população compreenda que aquele é, efectivamente, o ponto de depósito de lixo do mercado.”







