Sofre de hemorróidas: Cidadão recolhido em sua residência por elementos ainda não identificados está detido nas celas da esquadra do Pólvora sem receber assistência médica
Um cidadão nacional, de nome Diambana Gabriel "mestre Gabi", de 49 anos de idade, morador da comuna da Funda, município do Sequele, província do Icolo e Bengo, foi retirado da sua casa por elementos ainda não identificados, na noite desta quarta-feira, 25, e posteriormente terá sido encontrado pelos familiares nas celas da esquadra do Pólvora, no posto policial do mercado do Kicolo, em condições de saúde debilitadas.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Após oito dias detido, os familiares avançaram ao Na Mira do Crime que o cidadão ainda não terá sido ouvido pelo Ministério Público, nem apresentado a um Juiz de Garantias.
Manuel, irmão do detido, disse que até ao momento a família desconhece as reais causas da sua detenção.
"A polícia não nos informou do que ele é acusado, primeiro diziam que ele estava envolvido na morte do polícia no Sequele, depois disseram que fazia parte de um grupo de marginais que roubam carros e, mais tarde, alegaram que teria comprado uma viatura roubada", contou.
Acrescentou que o irmão encontra-se doente nas celas, sem receber qualquer assistência médica e medicamentosa.
"Sofre de hemorróidas e, durante os últimos dias, a situação piorou, nem consegue se colocar em pé, estamos preocupados com a situação", explicou.
"Nesta terça-feira (1), foi transferido para a Esquadra do Controlo, na 41, para ser ouvido por um Juiz de Garantias. Infelizmente, não foi possível por terem chegado tarde, por falta de viatura para o transportar", lamentou.
A nossa equipa de reportagem contactou uma especialista na matéria, a Dra. Margarida Bernardo, que começou por dizer que, quando um indivíduo é acusado de um crime, não se pode apresentar várias versões. Junto de um advogado, o instrutor deve explicar à família o que está na base da detenção do cidadão.
"A lei determina que, nas circunstâncias em que o indivíduo foi detido, por não ter sido em flagrante delito, os operacionais teriam de apresentar um mandado de detenção", explicou.
Acrescentou ser de lei que, num prazo de 48 horas, o indivíduo deve ser apresentado ao Ministério Público.
"Tendo já passado oito dias, o indivíduo deverá responder em liberdade. É importante ainda que o instrutor do processo explique realmente de que crime o cidadão é acusado, e diga onde e quando ocorreram os factos", analisou.
Sobre a saúde debilitada do indivíduo nas celas, a especialista avançou que a família deverá pedir ao instrutor processual que o detido seja encaminhado a uma cadeia hospitalar, no sentido de preservar o bem maior, que é a vida.







