Cidadão levado à madrugada da sua residência exige explicação e responsabilidade criminal aos efectivos do SIC envolvidos na sua detenção
O cidadão Diambana Gabriel, serralheiro de profissão, morador da Comuna da Funda, município do Sequele, província do Icolo e Bengo, que na noite do pretérito dia 5 do mês de Junho foi levado de casa por efectivos do Serviço de Investigação Criminal, e, posteriormente colocado nas celas da Esquadra da Pólvora, concretamente no Posto policial do mercado Kicolo, já está em liberdade e pede a responsabilização criminal dos operacionais envolvidos na sua detenção, por considerar ilegal e injusta.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
O Na Mira do Crime, que acompanhou o desenrolar dos factos, esteve na manhã desta quinta-feira, 03, na residência da vítima e ouviu em primeira-mão as circunstâncias e a forma como foi retirado de casa.
Em exclusivo a este jornal, Diambana avançou que os elementos terão chegado à sua casa a bordo de uma viatura de marca Toyota, modelo Land Cruiser, de cor branca, com matrícula não especificada.
"Eles insistiram que fosse aberta a porta, disseram que eram elementos SIC, abri a porta e fui para fora, os agentes perguntaram se eu conhecia o senhor João, respondi que não", disse.
Em acto contínuo, o nosso entrevistado disse ter sido levado da sua residência, na Funda, província de Icolo e Bengo para Luanda.
"Fui algemado e posto na viatura onde encontrei alguém que eles perguntaram se eu o conhecia, chamavam-lhe Diesel. Os homens do SIC disseram eu tinha comprado um carro roubado vendido por ele, mas eu nem sequer o conhecia", recordou.
Acrescentou que, as condições precárias encontradas nas celas do posto policial do mercado do Kicolo, provocaram complicações na sua saúde.
"A cela é bastante pequena e ninguém consegue se deitar para dormir, éramos colocados de pernas abertas em fileiras...podíamos fazer dois dias sem sequer fazer necessidades maiores",d denunciou.
"Tem muitos vermes, mosquitos, percevejos e outros insectos que sugam o sangue e penetram no corpo pelo ânus, por isso a minha hemorróidas piorou. Passei por momentos difíceis, não conseguia-me colocar em pé", lamentou.
O cidadão disse que na terça-feira, 3, devido ao seu estado precário de saúde, terá sido transferido para a Esquadra 41, no bairro da Boa Esperança, e presente ao Ministério Público.
"Chegamos tarde porque não tinha transporte, mas no dia seguinte fui ouvido, o procurador pegou o processo e perguntou se eu conhecia o Diesel, respondi que não o conhecia, e disse que no processo não constava nenhuma informação do crime que eu era acusado".
Diante dos factos, o cidadão disse que a sua família está traumatizada e, não só, espera por um pronunciamento da polícia para explicar as razões da sua detenção.
"Eu e os miúdos estamos com medo de que eles possam voltar, a polícia até agora não diz as razões de eu ter sido detido, mas eles têm que dizer quem os enviou para minha casa, porquê alguém deve estar por detrás de tudo", desconfiou.
A família do senhor, agradeceu a pronta intervenção do Na Mira do Crime para o esclarecimento do caso, desde o momento que tomou conta da situação.







