No Talatona: Patrão queima trabalhador com gasolina por furtar macaco na viatura de um cliente
Um jovem de nome Wilson António, de 23 anos de idade, estudante da 10.ª classe e residente no bairro Dangereux, município de Talatona, foi queimado pelo seu patrão e por outros comparsas, por ter furtado um macaco no interior de um carro de um cliente na oficina onde trabalhava.
Por: Cambuta Vieira
Segundo o acusado, que falou ao Na Mira do Crime, a situação terá ocorrido na manhã da passada sexta-feira, 27, quando se queixava de fome, uma vez que o patrão, identificado como mestre Carrera, não lhe pagava os ordenados há duas semanas pelos trabalhos prestados.
"O meu trabalho era preparar o carro para, posteriormente, ser pintado. Por cada carro, eu tinha direito a 7 mil ou até 10 mil kwanzas. Depois de efectuar o trabalho em três carros, o senhor não me deu nada", disse.
"Tive necessidade de me alimentar e agi sem pensar. Tirei o macaco do interior do carro de um cliente e fui vendê-lo na paragem do São Domingos, por 2 mil kwanzas".
No entanto, ao regressar, encontrou um grupo de jovens na oficina, que começou a agredir-lhe.
"Eu disse para não me baterem, que ia buscar o macaco onde o vendi. O dono do macaco aceitou. Pelo caminho, ao irmos buscar, o sobrinho e o proprietário da oficina, chamaram os seus amigos e começaram agredir-me, com socos, pontapés, paus e chaves de fendas".
De acordo com o nosso entrevistado, os agressores decidiram não ir em busca do macaco, e prometiam matá-lo.
"De regresso a oficina, encontrei um bidon de gasolina, os agressores me amarraram com os braços atrás e os pés juntos, o mestre Carrera me atirou com gasolina e começaram a me agredir de novo " lamentou.
Passado alguns minutos, disse, o dono do macaco pediu que ninguém mais me tocasse, e de seguida começou a me sensibilizar.
"Em menos de 30 minutos, apareceu quatro amigos do mestre e começaram a fomentar a confusão que já estava apaziguada, um dos amigos, de corpo estreito, com barba grande, pegou na gasolina me atirou, acendeu o fósforo e jogou em mim", recordou.
"Assim que o fogo se espalhava pelo corpo, tirei a roupa toda e comecei a fugir, com algumas partes do corpo em chamas, os agressores vinham todos atrás de mim.
Depois de chegar até a uma paragem, apareceu um jovem que me acudiu, me levou até à sua casa, e na manhã de sábado, levou me até ao hospital geral de Luanda, onde fui assistido e no domingo fui transferido até o hospital especializado Neves Bendinha", detalhou.
As partes que mais sofreram, de acordo com o jovem, são as costas e os braços, "os médicos disseram-me que estou com 14 % do corpo queimado".
Wilson, disse que tem recuperado satisfatoriamente, e que nesse preciso momento, tudo que ele precisa é de ajuda para regressar a sua terra natal, Malanje, onde está a sua família, e poder seguir com os estudos.







