Duas irmãs viúvas vivem ao relento depois de perderem casebre em incêndio no Cazenga
Maria Ramos Gomes e Marcelina Gonçalves, ambas irmãs viúvas, residentes no bairro Vila Flor, município de Cazenga, clamam por ajuda da sociedade, depois de perderem o seu casebre em consequência de um incêndio, provocado pela filha, menor de 10 anos de idade.
Por: Cambuta Vieira
Maria é vendedora zungueira, enquanto Marcelina é vendedora ambulante. No pretérito dia 08, terça-feira, por volta das 18 horas, a filha menor de 10 anos, acendeu a vela para trocar de roupa, e descuidou-se, tendo a chama da vela atingido dois colchões que estavam no interior da casa.
"Em casa não temos luz, dada a situação financeira, e como já estava escuro, a menina teve a necessidade de acender a vela para trocar de roupa, infelizmente a desgraça bateu a nossa porta, a vela caiu por cima dos colchões", frisou.
Tão logo a menina deu conta do incêndio, tirou um dos colchões para fora, sem saber que o outro colchão que ficou, estava a pegar fogo dentro de casa, que acabou por afectar outros móveis. Ao aperceber-se do incêndio, saiu para pedir socorro e os vizinhos, de imediato, saíram com baldes de água e extinguiram o fogo, mas já era tarde.
"Nós vivíamos em dois pequenos compartimentos de chapa, num dos quartos eu pernoitava com os meus 5 filhos e 3 netos; no outro compartimento dormia a minha irmã com os 5 filhos dela e uma neta", disse.
"Nós atravessamos bastantes dificuldades, às vezes, chegamos a passar o dia todo sem comer, só para no fim do dia jantarmos pão com 'caveneno', ou até mesmo passamos a noite todos com fome; agora com essa desgraça da casa, não sabemos o que fazer", lamentou.
A casa era de chapa, sem luz, sem condições mínimas, mas era lá onde encontravam aconchego, depois de largas horas na zunga.
Maria conta que desde que o seu marido morreu, há um ano, nunca foi visitada pela família dele. "Eu vendo produtos do campo só para alimentar os filhos; há vezes que fico meses sem vender, porque, de tanto tirar os produtos para o sustento de casa, o negócio vai abaixo", relata.
Outro problema tem a ver com o facto dos filhos não estudarem, por falta de documentos. Por este facto, lançam o grito de socorro à administração, aos empresários e à Primeira da República no sentido de poderem resolver o problema que enfrentam dia-a-dia.
Actualmente, para se alimentarem, dependem dos vizinhos de boa vontade. "Não temos nada, tirando a roupa do corpo", queixam-se.







