MPLA na Huíla vai "gostar" em 2027: Afirmam membros da sociedade civil e militantes de partidos políticos da oposição que criticam o governo por má gestão
A sociedade civil e militantes dos partidos políticos na oposição manifestaram-se, neste sábado (19), no Lubango, província da Huíla, contra a subida do preço do combustível, o aumento do custo de vida da população e as altas propinas no ensino privado, consideram que o governo do MPLA tem feito uma má gestão, sendo incapaz de dirigir Angola, e afirmaram que o partido dos camaradas "vai gostar" em 2027.
Por: Laurentino Tchatuvela (Huíla)
A marcha teve início no Largo da Sé-Catedral e terminou no Largo do ISCED Huíla.
O secretário provincial do Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA) na Huíla, João Ngola Mulemba, lamentou o comportamento do Governo do MPLA pela decisão tomada sem antes consultar a população, que, segundo ele, é a verdadeira detentora do poder.
O secretário provincial do PRA-JA Servir Angola, Zeferino Chiengo, afirmou que o custo de vida dos angolanos, particularmente na Huíla, está extremamente difícil, desde a alimentação ao material de construção, o que tem anulado o sonho da casa própria entre os jovens.
Destacou ainda o aumento exponencial das propinas, razão pela qual os militantes do seu partido decidiram abraçar essa causa.
Paulo Dias Malengue manifestou-se insatisfeito com as políticas delineadas pelo Governo do MPLA, situação que, segundo ele, deve ser sanada com urgência para garantir uma vida melhor aos angolanos, onde o cidadão tenha dignidade e tranquilidade. Criticou ainda o sofrimento imposto ao povo, ao ponto de muitas famílias dependerem dos contentores de lixo na cidade do Lubango e noutras localidades.
“Nós, enquanto patrão, estamos insatisfeitos com a gestão do nosso subordinado. Exigimos a adoção de políticas que melhorem a vida dos cidadãos, caso contrário, vamos retirá-lo à força do poder”, declarou.
O activista cívico conhecido como "Pensador Revolucionário", vindo de Luanda, sublinhou a necessidade de se respeitar o verdadeiro detentor do poder, o povo, embora se fale muito disso na teoria, na prática o governo age de forma contrária, não queremos nos comportar como aconteceu em Moçambique.
Acrescentou que o governo apenas demonstra coragem, mas já se apercebeu da insatisfação da população. “O povo já não quer mais o MPLA no poder. Como são incapazes de dirigir este país, devem demitir-se”, defendeu.
“Quem aumenta o preço do combustível é porque não o compra, essa pessoa também não anda de táxi, certamente já está bem de vida. Não vamos nos calar diante dessa injustiça, a resistência será sempre a palavra de ordem.
Nenhum patrão orientou o aumento do combustível, alertamos ao subordinado para se demitir do poder”, acrescentou.
José Araújo, membro da sociedade civil, declarou, “A minha presença nesta manifestação deve-se à má gestão danosa conduzida pelo governo do MPLA, que tem ignorado a situação crítica do povo angolano, mesmo sabendo que a população vive em extrema miséria, ainda assim decidiu aumentar o preço do combustível.”
Antes de aumentar o preço do combustível, o governo deveria ter comunicado à população com antecedência, de modo a prepará-la psicologicamente.
“Em 2027, o MPLA vai gostar”, disse, em tom de aviso.
“Devido ao comportamento do executivo angolano, manifestamos para mostrar a nossa insatisfação com as condições em que os angolanos têm vivido nos últimos tempos, particularmente na província da Huíla, onde a vida está muito difícil”, reforçou.
O activista cívico Anderson Longuenda afirmou que o MPLA é “diabo”, pelo facto de ignorar o sofrimento do povo, enquanto um pequeno grupo organizado no país não passa necessidades, e outros sobrevivem de restos em contentores de lixo. “É uma situação lastimável”, disse.
Segundo Longuenda, no bairro Nambambi, um cidadão ficou uma semana sem comer por falta de alimentos em casa e acabou por perder a vida, sob o olhar indiferente das autoridades governamentais na província da Huíla, que nada fizeram antes da sua partida prematura para resolver o problema.
A comandante da 1.ª Esquadra Policial no Lubango, subinspectora Alzira Mariana, considerou positiva a marcha realizada neste sábado, uma vez que a manifestação decorreu de forma ordeira e pacífica, sem registo de vandalização de bens públicos.
Segundo a subinspectora, durante o percurso, a Polícia Nacional desempenhou o seu papel, garantindo a segurança dos manifestantes, dos transeuntes e das viaturas que circulavam naquele momento.
Referiu ainda que os manifestantes comportaram-se de forma exemplar, sem qualquer registo de arruaça.
Vale recordar que, neste sábado (19), por volta das 12 horas, antes do início da marcha, o sinal de internet sofreu uma redução considerável na cidade do Lubango, o que causou constrangimentos aos internautas, especialmente na transmissão em directo da manifestação.
Importa lembrar que participaram da marcha activistas cívicos, militantes de partidos políticos da oposição, nomeadamente do Bloco Democrático, UNITA, PRA-JA Servir Angola, zungueiras, entre outras individualidades.







