Mandou cavar um buraco para aceder a tubagem de água - Activista Yared Bumba acusa polícia da esquadra do Capapinha de a deter Ilegalmente
Uma cidadã que atende pelo nome Yared Bumba, de 38 anos de idade, que se apresenta como activista e defensora dos direitos humanos, residente do bairro Capapinha, município do Calumbo, província de Icolo e Bengo, acusa a polícia de a ter detido, na companhia de outros moradores por reivindicarem a falta de água, que não jorra naquela circunscrição há 04 anos.
Por: Solange Figueira
Segundo relatos de testemunhas, a aludida activista dos direitos humanos, mais alguns moradores, decidiram pagar a um jovem para fazer o trabalho de cavar um buraco, a fim de encontrar uma tubagem de água.
No momento em que o jovem começou o trabalho, foram surpreendidos por uma patrulha policial que, seguidamente, o deteve.
Yared, por vontade própria, disse ao Na Mira do Crime, decidiu acompanhar o jovem e acabou também detida.
Ela disse que na esquadra, passaram uma noite em condições precárias.
Os moradores que estavam nos arredores da esquadra do Capapinha, à espera que os acusados fossem libertados, contam que foram mais de 30 casas a pagar, por vontade própria, para o jovem "fazer o trabalho". Porém, estão insatisfeitos com a coordenadora do bairro e apontam a mesma como a denunciante, por supostamente querer colocar um chafariz no ponto em que decidiram cavar para abrir a tubagem de água.
Segundo Bumba, foi detida injustamente por tentar apenas acudir o jovem que estava a cavar.
"Na comunidade, estamos há muitos anos, sou defensora dos direitos humanos, planeamos a escavação com vários moradores. Eu estava na rua a comer o meu peixe, quando os polícias chegaram, encontraram o Jamba a cavar o buraco, começaram a agredi-lo, eu o defendi, mostrei o meu passe, decidi acompanhá-lo. Para a minha surpresa, quando chegamos à esquadra receberam-me o bilhete de identidade, a peruca e o passe", disse, acrescentando que foi posta numa cela muito suja a cheirar à urina.
"Dormi sem nenhum lençol e no chão. Os polícias na esquadra estavam a obrigar o Jamba a dizer que eu sou a mandante e que faço garimpo de água, o que não é verdade", revelou.
Jamba, por sua vez, disse que estava apenas a fazer um biscate. "Não trabalho na EPAL, fui solicitado pelos moradores, e todos, em conjunto, fizeram uma vaquinha de 07 mil kwanzas. O objetivo era abrir a tubagem para que eles tirassem água".
Apesar da atitude configurar crime, Jamba desconhece as razões da sua detenção. "Não sei por que fui preso. No acto em que me abordaram, bateram em mim e estavam a obrigar-me a dizer que fizemos parte de uma associação criminosa de garimpo de água, o que não é verdade", disse.
A nossa equipa de reportagem deslocou-se na manhã desta segunda-feira, 21, até à esquadra do Capapinha e constatou que, realmente, a jovem Yared e o jovem Jamba Tomás estavam detidos.
Passaram a noite na Esquadra, às 11 horas da manhã foram transferidos para a esquadra do Zango, 8 mil, a fim de serem ouvidos por um Juiz da Garantia.







