Obra literária "a influência dos médias sobre o fenômeno da delinquência juvenil" de Nestor Goubel lançada em livro
No dia 10 de Julho do corrente ano, o Jornal Na Mira do Crime publicou uma matéria que dava conta das demolições de mais de 10 casas no bairro Kikuxi, no município do Kilamba, propriamente na fazenda Pérola do Kikuxi, propriedade de Elisabeth Dias dos Santos, filha de Fernando da Piedade Dias dos Santos ‘Nandó’, que foi acusada de ser a mandante. Depois de vários dias, novos factos aconteceram, com o "martelo demolidor" e balas reais a serem usados para travar o inconformismo dos moradores.
Por: Solange Figueira
Na tarde de quarta-feira última, 23, um dos moradores, Bernardo Augusto Cusso, de 25 anos de idade, foi baleado na mão direita e no pé esquerdo pela polícia que estave no local, no acto das demolições. Não é que ele tenha representado uma ameaça ao Estado e à polícia, muito menos à proprietária da fazenda, mas sim por ter pedido um minuto antes de demolir a sua casa.
Familiares e vizinhos da vítima contam que tudo ocorreu quando o jovem pediu um minuto antes de demolirem a sua casa, para retirar todos os pertences. "Assim que tentou aproximar-se da residência, foi surpreendido por dois disparos que o atingiram no braço direito e no pé esquerdo.
Segundo Horácio Cusso, tio, a família vive no perímetro da fazenda há muitos anos, em um quintal familiar, com sete casas. No acto das demolições, ninguém mostrou resistência. "A Polícia que alvejou o meu sobrinho é a Unidade de Reação e Patrulhamento (URP). Depois de o balearem, ainda seguiram-nos até ao hospital, pediram o relatório ao médico", explicou, reiterando que não houve nenhum confronto; ele pediu apenas para tirar as coisas de casa.
Bernardo vive com três filhos e a esposa, queria as coisas dele por causa das crianças. "Já fizemos participação à polícia, porque notamos que, além do crime, os seus autores estão a ser protegidos", observaram.
Dizem também que a Senhora Elisabeth é protegida pela polícia e continua a gabar-se de que nada lhe vai acontecer por ter dinheiro e ser filha de Nandó. Mais do que isso, dizem que
pagou os jornais, as rádios e as televisões para não passarem nada que tenha que ver com ela.
Dona Glória Cusso, tia do jovem alvejado, não entende se o problema de Elisabeth dos Santos é demolir as casas ou matar as pessoas. "Meu sobrinho foi baleado, sem dó nem piedade, e como família tivemos que socorrê-lo, levando-o para o Hospital do Zango", contou, acrescentando que chegados lá, a mesma polícia que o baleou teve a coragem de ir ter com o médico para saber se ele estava vivo ou morto.
A nossa equipa de reportagem entrou em contacto com um dos advogados da Fazenda Pérola do Kikuxi, Sebastião Vinte Cinco, que diz que a informação que tem é diferente. "Constou-nos que alguns populares decidiram desafiar a autoridade da polícia e a situação terá atingido outras proporções", afirmou.
"É esta informação que obtive hoje mesmo. Por essa razão, os populares e a fazenda poderão não ser a melhor fonte para vocês e recomendo que falem com a polícia que foi desafiada para prestarem uma melhor e mais isenta informação", orientou.
Falou também com a polícia, que informou que as investigações estão a ser feitas para que se determine quem fez os disparos, de que arma saíram os tiros, uma vez que havia aglomeração de pessoas, o que dificultou a identificação da origem do disparo.







