No Lubango: Confrontos entre gangues com recurso a catanas e facas preocupam moradores dos bairros da Mitcha e Chavola
Moradores dos bairros da Mitcha e Chavola, no Lubango, província da Huíla, manifestaram profunda preocupação nesta sexta-feira (25), face aos constantes confrontos entre gangues armados com catanas, facas e garrafas, que ocorrem tanto em plena luz do dia quanto durante a noite.
Por: Laurentino Tchatuvela (Huíla)
Segundo explicações dos residentes, a situação tem sido frequentemente reportada aos postos policiais, mas os efectivos da Polícia Nacional raramente aparecem para conter a onda de violência e assaltos que se tem alastrado nesses bairros periféricos.
Bernardo Silva, morador do bairro da Mitcha, sublinhou que os envolvidos nestas acções delituosas são, maioritariamente, adolescentes e jovens com idades compreendidas entre os 14 e os 19 anos.
“Trata-se de rapazes que, depois de consumirem liamba e bebidas alcoólicas, entram em confronto com grupos rivais, utilizam catanas, facas e garrafas para ferirem-se mutuamente, causando pânico na vizinhança”, revelou.
Bernardo frisou ainda que a situação se agrava pela aparente impunidade de muitos desses jovens delinquentes.
“Hoje em dia, ninguém luta por fome, a verdade é que as leis são brandas. Há casos de indivíduos que cometem homicídios e, em menos de dois ou três meses, já estão em liberdade, dias depois, voltam a praticar os mesmos crimes.
Muitos destes jovens são filhos de dirigentes, razão pela qual não permanecem muito tempo presos”, denunciou.
Angelina Cardoso, residente no bairro da Chavola, também lamentou o crescimento da delinquência juvenil e criticou fortemente a inação das autoridades.
“A criminalidade atingiu níveis alarmantes, a polícia não age, e o Executivo não intervém como devia. Muitas famílias já resolveram casos de agressão com as próprias mãos”, desabafou.
A moradora referiu ainda que há casos chocantes que envolvem menores em completo estado de embriaguez.
“Não se justifica que um menor de 12 anos já enfrente adultos, armado com catana ou faca, quando tentamos defender-nos, são os próprios familiares do marginal que vêm nos ameaçar. Eu, enquanto cidadã, reprovo categoricamente essa inversão de valores.
Por isso, apelamos ao Governo, central e provincial para que não permita que a situação continue como está”, sublinhou.
Angelina reforçou ainda que, mesmo em contextos de crise social, a criminalidade não deve ser tolerada.
“Se muita gente rouba por causa da fome, nós, cidadãos honestos, também enfrentamos dificuldades, não podemos aceitar que uns se aproveitem disso para prejudicar os outros. Quem rouba deve ser responsabilizado e sentir as consequências dos seus actos”, enfatizou.
De acordo com outros relatos, a zona da Duva, nas proximidades da ponte que dá acesso ao bairro da Chavola, tornou-se um ponto crítico de assaltos, principalmente entre as 18h e as 19h.
“Sempre que chamamos a polícia para intervir, não obtemos resposta, a situação é preocupante”, finalizou.







