Moradores do Lubango entendem que a fome “empurra” muitos jovens para o mundo do crime
Alguns moradores do município do Lubango, ouvidos pelo Na Mira do Crime afirmaram, nesta quarta-feira (13), nos bairros da Mapunda, Comandante Cowboy e Mitcha, concluíram Tque muitos jovens e adolescentes têm-se envolvido no mundo da criminalidade devido ao elevado custo de vida que o país enfrenta.
Por: Laurentino Tchatuvela (Huíla)
De acordo com Adriano Manuel, residente no bairro da Mitcha, o nível de delinquência varia de uma zona para outra. Ele referiu que a maior preocupação é entre às 22h00 e as 3h00, período em que alguns meliantes arremessam pedras sobre as chapas, causando temor aos moradores. Em outros casos, há furtos de telemóveis, dinheiro televisores e, principalmente, botijas de gás butano de 12 kg.
“O nosso pedido aos efectivos da polícia é que intensifiquem o patrulhamento nas zonas mais restritas do bairro, especialmente em pontos onde muitos delinquentes, antes de cometerem crimes, consomem estupefacientes ou bebidas alcoólicas, como a famosa água do chefe (canhome)”, frisou Adriano.
Já Delfina Domingos, moradora da Mapunda, salientou que, apesar da presença de efectivos afectos à 8.ª Esquadra, a criminalidade continua a ser um problema sério que merece maior atenção da polícia, e a fome pode ser um dos motivos do elevado nível de delinquência.
Ela explicou que, nas imediações da ponte que divide os bairros da Mapunda e Hélder Neto, há casos de marginais que se concentram debaixo da estrutura para consumir bebidas alcoólicas e drogas, tornando a área perigosa. “Pedimos a intervenção urgente das autoridades policiais”, apelou.
Moradores do bairro Comandante Cowboy, que preferiram não se identificar, lamentaram os assaltos registados nos últimos dias e criticaram a rápida libertação de suspeitos detidos em flagrante delito. “Será que alguém apanhado a cometer furto em flagrante não deveria cumprir pena, por isso, dois ou três dias depois de serem detidos, eles já estão na rua?”, questionaram.
Segundo os moradores, a única forma de se proteger durante a noite é estar sempre atento, qualquer barulho mínimo já nos deixa em alerta para perceber se são marginais ou não.
Os entrevistados consideram que o aumento da criminalidade nos últimos anos está associado ao agravamento das condições de vida. “Com a fome não se negoceia”, enfatizaram.
Alguém faminto, sem outra forma de conseguir alimento, muitas vezes, recorre ao furto ou roubo. “Não estamos a incentivar esta prática, mas, na aflição, muitos não veem outra saída”, afirmou um residente que entende que a falta de oportunidades de emprego agrava o problema.
“Hoje, sem um padrinho, não se consegue entrar nem no sector privado ou estatal, até os biscatos estão difíceis de conseguir, não sabemos mais o que fazer”, lamentou.
Ouvido pelo Na Mira do Crime, o comandante da Polícia Nacional no Lubango, superintendente-chefe Amadeu Ferreira, detalhou que, no balanço geral da criminalidade durante a semana finda, foram registados 35 crimes, 08 dos quais esclarecidos, sendo o bairro da Eiva, com 7 crimes, a Terceira Esquadra e a Quinta com 3 crimes cada e a Sétima e a Décima Segunda Esquerdas, com 2 crimes cada. Dentre eles, figura o furto de botijas e televisores que foram devolvidos aos seus legítimos proprietários, e resultaram na detenção de 12 cidadãos.
O oficial adiantou que os bairros com maior número de ocorrências criminais, no período em análise, foram a Centralidade da Quilemba, com 8 crimes. Apelou aos moradores de distintos bairros para que, sempre que ocorra uma situação de crime, não omitam, mas sim denunciem imediatamente às autoridades competentes, de forma a contribuir para a redução dos índices de criminalidade.







