Caso Cipriano Cavela: Mãe do malogrado rebate acusações ditas em tribunal contra o filho deste ser marginal altamente perigoso
Luísa Jambela, mãe do malogrado Cipriano Cavela, morto no estabelecimento prisional da Huíla, por supostos efectivos do Serviço Penitenciário, em carta enviada à Câmara Criminal do Tribunal Supremo, a que este jornal teve acesso, rebateu as declarações proferidas pelos arguidos, Comissário Miguel Arcanjo e outros efectivos, acusados de homicídio qualificado, que alegaram durante o julgamento que a vítima, Cipriano Cavela, era um bandido altamente perigoso.
Por: Cambundo Caholua
Segundo a progenitora, o malogrado inclusive estava enquadrado no trabalho socialmente útil, dentro da cadeia, e contribuía com o seu saber na organização do interior penal, sublinhou que o filho também estava destacado no refeitório de alimentação dos reclusos, sendo ele a pessoa que organizava diariamente os reclusos no acto de recepção de alimentação.
"Descarta-se aqui por completo que o mesmo era algum malandro no interior penal, até porque os reclusos com condutas indecorosas no interior Penal dos Estabelecimentos
Prisionais não são enquadrados no Trabalho socialmente útil, até as avaliações positivas", realçou, tendo reforçado que isto pode ser confirmado pelos próprios efectivos dos Serviços Penitenciários da Huíla.
Aquela progenitora, ainda apavorada com a morte do filho, na mesma carta, sublinhou que o malogrado nunca foi detido por qualquer acusação de crime de Homicídio, esteve preso em cumprimento de pena por crime de furto.
Por outro lado, desmentiu também as alegadas afirmações de que Cavela, o infeliz, sofria de bronquite, esta disse até o último dia que o visitou na cadeia do Estabelecimento Prisional do Lubango, o filho nunca apresentou este problema de saúde, tendo reforçado que a causa da morte foi por tortura.
"A causa da sua morte foi a tortura desumana praticada por tais efectivos do Serviço Penitenciário que em convívio de bar já disseram em voz alta em nossos parentes que isso não dará em nada quem morreu morreu", salientou.
A mãe revelou ainda que o esposo, Pai do malogrado, acabou por falecer, ficou muito doente por desespero. Este, ainda em vida, entendia que após todas manobras dilatórias que os arguidos foram fazendo e usando de influências no Tribunal de Comarca do Lubango, pelo facto do Juíz que pronunciou e conduziu a instrução contraditória ser irmão de um colega dos efectivos.
Este magistrado, segundo a mesma carta, ajudou os arguidos praticando ilegalidades e favorecendo-lhes, tentando apagar a verdade dos factos.
"O meu esposo acabou por falecer por desespero, vendo que o nosso Filho foi morto nos moldes em que foi de forma desumana e ninguém fazia justiça", revelou.
"Acredito nesta casa de justiça, Tribunal Supremo, aprendemos que é nesta casa aonde se pratica a justa justiça, não importa o nivel social, pobre ou rico, militares ou civis, se será feita a sã justiça, cada um dos acusados teve uma função para matarem o meu filho de forma barbaro", confia.
Segundo a mãe, os dois dias de cela disciplinar que o filho foi submetido na cadeia por ordens do Comissário Miguel Arcanjo pelo facto da vítima ter consumido estupefaciente, a mesma alega que foi ilegal, uma vez que não exista prova de uso daquela droga.
"Por outra a lei penitenciária diz que após elaborada a competente informação contra o recluso que propõe a sanção de cela disciplinar, o Director do Estabelecimento Prisional deve ouvir o recluso ou convocar o Conselho de Disciplina do referido Estabelecimento Prisional para reunir e decidir sobre a legalidade da mesma e nada disso foi realizado", diz na carta.
Frisou ainda que a mordedura que o malogrado deu a um efectivo, foi apenas no sentido de repelir a forma como estava a ser vítima de agressão no corredor do Estabelecimento Prisional.
"É de lei que ninguém é obrigado a suportar uma agressão sem repelir", disse.
Na mesma, acusou o Comissário Miguel Arcanjo, como sendo useiro e viseiro de tais ordens de mandar torturar os reclusos, ressaltou que prova disso é um dos declarantes nos autos, identificado por Edson Lúcio
Maiomona, este também já foi vítima de uma tortura pelas forças especiais da UES do EP-Lubango por Ordens do tal oficial superior por razões fútil.
"O Comissário Miguel Arcanjo, em sede de julgamento foi mantendo alguns telefonemas com declarantes nomeadamente a intendente Diló- Chefe de Departamento de
Logística, no sentido de convencer a declarante Laura Santana a não declarar a verdade porque comprometia a situação dele, assim como também manteve telefonemas com a declarante Sandra Mariza para convencer a declarante Duma, Chefe da Secção de Segurança, a não declarar como o fez em sede de instrução Preparatória para não comprometer a situação dele", desvendou.
Acrescentou que o antigo Director dos Serviços Prisionais da Huíla também contactou, via telefónica, a Intendente Francisca de Brito, no sentido de interagir com os demais declarantes, com o objectivo de tentarem afastar o nome dele do assunto.







