Sem condições para estágio - Projecto "Nossa Comunidade" acusado de enganar estudantes com cursos de enfermagem e farmácia no Cazenga
Projecto "Nossa Comunidade", na pessoa do seu mentor, Judilson Mateus Pedro Peliganga, que desde 2024 arrendou algumas salas de aulas no interior das instalações que albergam o ensino Pré- Universitário (PUNIV) do Cazenga, está a ser acusado de burlar os estudantes do curso de enfermagem e farmácia, que pagaram para a formação um valor monetário avaliado em mais de Akz 180.000.00, com uma duração de um ano e seis meses.
Por: Cambuta Vieira
No mês de Julho do ano passado, Edivaldo Carlos João Sebastião, inscreveu-se no curso de farmácia, no valor de 15 mil kwanzas, incluindo o pagamento do referido mês no projecto "Nossa Comunidade", mas quando a formação
começou, era suposto terem encerrado as inscrições no referido mês, mas todos dias o projecto registava a entrada de novos alunos.
"Todos dias, entravam sempre alunos novos, novas vítimas, que acreditavam que o centro era credível, uma vez que está sediado no interior de um PUNIV de referência no município do Cazenga", disse.
Durante a formação, os professores também queixavam-se de atrasos salariais. "Sempre que o mês termina, nós não entendíamos o porquê da queixa dos professores, sendo que todos meses nós efectuávamos o pagamento das propinas", referiu um estudante.
Segundo ainda a mesma fonte, em Dezembro de 2024, o director anunciou o começo de estágios que estavam orçados em 30 mil kwanzas por estudante, que seriam feitos no hospital da Jota para os formandos de enfermagem, enquanto os do curso de farmácia, estagiariam nalgumas farmácias do município.
"Todos nós fizemos o pagamento do estágio, com expectativa de que as coisas poderiam correr bem, uma vez que estávamos mais de três meses na formação", disse.
O lesado contou também que, em um determinado dia do mês de Dezembro, o director e proprietário do projecto, Judilson Peliganga, levou mais de 15 alunos do curso de farmácia para o estágio, mas não conseguiram praticar por causa da ANIESA e da Polícia Económica, pois os formandos não tinham licença para o estágio, por isso, foram obrigados a regressar.
"Fomos pressionando a direcção do projecto, para sabermos como ficarias os estágios, mas não respondia, e acabamos por ficar à deriva, desde o mês de Dezembro", revelou.
Por sua vez, Francisco Imperial, estudante do curso de enfermagem, realçou que no mês de Outubro do ano de 2024, foi até ao projecto "Nossa Comunidade" fazer a inscrição, tendo feito o pagamento de 35 mil Kwanzas, que incluía a inscrição, a bata, o cartão e a mensalidade. O estudante alegou que a formação durou pouco tempo, mas não obteve nem o cartão nem a bata.
"Eu não recebi o cartão e a bata. Para piorar, estávamos todos juntos na mesma sala, quer o curso de enfermagem, bem como o de farmácia; os professores eram todos os mesmos", especificou.
Imperial afirma que, enquanto aluno de enfermagem, na companhia dos demais colegas, foram levados ao interior do bairro da Estalagem, numa zona isolada e sem luz, onde havia um posto médico para supostamente fazerem o estágio no período de noite, uma vez que eles não têm licença, para evitar serem levados pelas autoridade competentes.
O formando, em acto contínuo, fez saber que graças ao bom senso dos populares que os alertaram que o local estava cheio de bandidos. Dada a predominância da delinquência naquela zona e a falta de credibilidade no posto médico, os alunos decidiram abandonar o local e não mais regressaram.
"O centro não tem condições para ministrar cursos que publicaram. Tudo está mal, desde os professores, salas de aulas, material para as aulas práticas, às condições para os estágios", concluiu.
No mês de Abril do corrente ano, todos nós, os lesados, fomos até ao Comando Municipal do Cazenga, fizemos a participação. Depois de dois dias, conseguimos achar o senhor Pelinganga e levamo-lo até ao referido comando, onde foi solto momentos depois, porque a sua suposta tia, identificada por Ângela, trabalha aí, e facilitou a sua soltura.
"Nós somos mais de 40 alunos nessas condições; pagamos valores monetários avaliados entre 180.000 e 250.000 mil Kwanzas para a formação. Estamos a falar de mais de 8 milhões de kwanzas, mas até hoje não temos nenhuma solução.
Edivaldo Carlos João Sebastião, Francisco Imperial, Celestina Matondo Kialunda Simão e Albano Malimi Agostinho, dentre outros lesados disseram que, Peliganga desligou o seu telemóvel, mudou de bairro e, neste momento, não sabem o seu paradeiro.
Procuraram ouvir uma das esposas do acusado, identificada por Tainara, que exercia a função de secretária do projecto "Nossa Comunidade", mas sem sucesso.
A equipa deste jornal manteve contacto via telemóvel com o comandante municipal de Cazenga, superintendente-chefe Adão Correia Sebastião, que garantiu pronunciar-se oportunamente.







