Tantos avisos para nada - Munícipes denunciam a proliferação de casas clandestinas de pesagem de materiais ferrosos e acusam a polícia de protegê-las em Cacuaco
Os moradores do bairro Belo Monte, no município de Cacuaco, denunciam a proliferação de casas de pesagem de materiais ferrosos clandestinas e acusam a polícia de proteger os proprietários das mesmas, que estariam a influenciar os roubos e a vandalização de bens públicos e privados nas zonas periféricas de Luanda
Por: Kihunga Bessa
Depois do grito de socorro, nesta sexta-feira, 22, o Na Mira do Crime realizou uma ronda no bairro mencionado para aferir o nível de denúncias e constatou uma triste e preocupante realidade. Várias residências ficaram totalmente vandalizadas pelos marginais, causando inúmeros prejuízos aos proprietários.
Segundo aqueles habitantes, que falaram sob anonimato, diariamente são vandalizadas mais de três residências. Os meliantes arrancam portas, janelas, gradeamentos, portões e até mesmo os tectos, tendo como principal ponto de venda as referidas casas de pesagem que operam de forma ilegal.
Acrescentaram que muitas dessas casas, após serem vandalizadas, tornam-se refúgios para os próprios meliantes, onde guardam os bens roubados, inclusive armas de fogo, o que representa um autêntico perigo para a população. "Quando as viaturas vêm carregar as mercadorias, na hora da saída dos locais, nota-se sempre a circulação de 04 agentes da polícia nesse perímetro, mas não conseguimos determinar o que realmente eles fazem aí", disseram.
Realçaram que muitas daquelas casas clandestinas servem de receptáculo para outros bens provenientes de diferentes bairros de Viana e Icolo e Bengo. Destacaram ainda os nomes de 'Na Chambre' e seu irmão 'Puto Sujo', em companhia do seu amigo 'Dos Pai', como sendo os líderes das vandalizações naquele bairro, e que, posteriormente, transportam os bens roubados numa motorizada de três rodas (kupapata).
E, durante uma conversa que mantivemos com o papá 'Ali', cidadão de nacionalidade guineense e proprietário de uma das casas de pesagem ilegal no Belo Monte, ele reconhece ser errado o que faz, mas afirma que a situação é do conhecimento do comandante da esquadra do Ângelo. "Se alguém compra coisas roubados também é criminoso", reconheceu.
No outro estabelecimento, junto à paragem do Kicolo, a cidadã nacional identificada apenas por 'Kanisha', responsável do local, diz: "Os filhos deles é que são gatunos e nós não mandamos ninguém roubar ou vandalizar, até porque o próprio comandante da esquadra sabe disso", acrescenta, alegando que não são os únicos compradores dos bens roubados, mas também alguns comerciantes de materiais de construção civil.
Já os proprietários de outra casa de pesagem, acusados de serem os maiores receptadores de bens diversos provenientes de outros pontos, preferiram encerrar o portão assim que se aperceberam da equipa de reportagem naquela zona, para não serem flagrados.
Durante a reportagem, este jornal contactou o comandante da esquadra do Ângelo, Guilhermino Calunga, que afirmou ter conhecimento da existência de casas de pesagem de materiais ferrosos naquela circunscrição, mas apenas das que são legalizadas. "Eu não trabalho na AGT para conceder legalidade a estes senhores", defendeu-se.







