Com a gestão dos chineses HUAJUN ZHENG e GONG DAWEI: Trabalhadores da cervejaria “Bela” denunciam atrasos salariais e despedimentos anárquicos
Os trabalhadores da fábrica de cerveja marca “Bela”, situada no Km-30, na província do Icolo e Bengo, queixam-se de atrasos salariais que já perdura desde Junho deste ano, bem como denunciam despedimentos em massa sem aviso prévio aos funcionários, visto que a empresa conta, agora, com um novo proprietário e nova gestão.
Por: Cambundo Caholua
De acordo com uma carta enviada ao Na Mira do Crime, os problemas começaram em este ano, quando a antiga comissão de gestão da referida fábrica que, noutro tempo, pertencia ao grupo CIF, nomeou Letícia Makunga Walelo, que exercia o cargo de Diretora Comercial, para o cargo de Diretora-geral.
Os queixosos dizem que apesar da mesma ter tido sucesso no seu antigo cargo, o mesmo não veio acontecer na gestão onde se apresenta como Directora-geral. Entretanto, o fracasso da gestora fez a fábrica baixar significativamente a sua produção e vendas. Em consequência disso, recorria aos reservatórios de água da fábrica para comercializar, com o objectivo de colmatar algumas situações. "A fábrica vendia água potável às outras empresas ao redor, víamos muitas cisternas a entrar, mas este dinheiro eles não davam destino certo", revelam.
Alegam ainda que antes da fábrica passar pela fase de transição para o actual grupo "RUSHAN SHUGUANG CERVEJA-INDUSTRIA, COMÉRCIO GERAL, E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, LDA", a antiga gestação liderada por Letícia havia assegurado aos trabalhadores que iria resolver o problema dos ordenados.
"A antiga Directora havia garantido que seria feito um pagamento faseado dos salários, começando pelos salários mais baixos, depois os médios e, por fim, os salários da Direção, com prazo limite o dia 10 de Julho de 2025, garantindo que todos os trabalhadores, angolanos e chineses, seriam pagos até à essa data", contam na carta.
Contudo, os acusadores revelaram que o mês de Junho e Julho do ano em curso, período entre a transição da antiga para a nova gestão, foram as fases em que a fábrica atingiu o pico no que concerne à produção e venda, sendo que nesse período foram produzidas cerca de 102 mil e 956 grades de cerveja, das quais 79 mil e 998 grades são de referência em garrafa, ao passo que 22 mil e 958 kwanzas foram produzidas em lata, o que totalizou, em vendas, 439 milhões e 717 mil Kwanzas.
Alegam que apesar da elevada produtividade, muitos dos trabalhadores foram injustamente excluídos do pagamento, num momento em que suas famílias dependem totalmente desse rendimento para sobreviver.
Os mesmos explicam que com a chegada do novo dono e nova gestão em nada mudou porque foram surpreendidos com a saída de muitos funcionários, com a esperança de que seriam chamados, o que não está a acontecer, criando grande preocupação aos funcionários que ainda resistem na empresa, uma vez que já têm informações que mais um grupo será despedido nos próximos dias.
"A fábrica foi privatizada e nós (trabalhadores) vimos isso com bons olhos, mas infelizmente, estamos a sofrer despedimentos sem justa causa, alegando que poderão nos chamar, mas até agora nada acontece e os salários continuam atrasados”, denunciam os trabalhadores.
"Além disso, existe grande insegurança jurídica quanto ao processo de transição. Muitos de nós trabalhamos há vários anos na antiga gestão e não sabemos se temos direito a indemnização por esse tempo de serviço”, evocam, referindo que também não sabem se esse tempo será contabilizado no novo contrato de trabalho a ser celebrado com o novo proprietário ou se se vai começar do zero.
Denunciam ainda que têm sidos submetidos a trabalhos desumanos, já que não têm material de protecção, pondo em risco a sua segurança. Outra situação tem a ver com a carga horária que é de 08 horas, mas sem alimentação, havendo trabalhadores que já chegaram de trabalhar 24 horas consecutivas. A isso associa-se o facto de não terem subsídios de alimentação e transporte, seguro de saúde e inscrição no Instituto Nacional de Segurança Social (INSS).
Os trabalhadores antes da entrada da nova gestão, recorde-se, haviam paralisado toda a produção pelo facto, segundo os mesmos, de perceberem irregularidades nas saídas de produtos com notas de entrega e não com faturas legais, o que levantava sérias dúvidas sobre a transparência das vendas.
Quem são os donos da empresa?
A referida empresa, segundo a investigação deste jornal, na sua constituição, tem o capital inicial de 1 milhão de kwanzas.
SÓCIOS E QUOTAS
1º GONG DAWEI, solteiro maior, residente na Província de Icolo e Bengo, Município de Bom Jesus, Bairro Zona Económica Especial Luanda-Bengo, Estrada direita de Catete, Casa s/n.º. 2º HUAJUN ZHENG, solteiro maior, residente na Província de Icolo e Bengo, Município de Bom Jesus, Bairro Zona
Económica Especial Luanda-bengo, Rua Estrada direita de Catete, Casa s/n.º, cada um, com uma quota no valor nominal de KZ. 500.000,00 (QUINHENTOS MIL KWANZAS).
Uma equipa deste jornal deslocou-se até às instalações da fábrica Bela, no passado dia 14 do mês em curso, a fim de ouvir a direcção daquela instituição. Entretanto, a equipa foi informada pelo segurança, identificado apenas por Domingos, que os responsáveis se encontravam reunidos, sendo assim, foi-nos sugerido a deixar um contacto telefónico, mas passada uma semana não foi atendida.







