Luandenses preocupados com a venda de "minas tradicionais" nos mercados informais, vendedeiras dizem que a "tala seca" (mais perigosa) custa entre 10 e 15 mil kwanzas
Os citadinos de Luanda estão preocupados com a normal comercialização de medicamentos tradicionais, sobretudo a chamada "tala", conhecida também como "mina tradicional", que tem prejudicado a saúde de muitos e causando várias vítimas mortais a nível da cidade capital e não só.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku e Kihunga Bessa
Entrevistados pelo Na Mira do Crime, vários populares manifestaram-se preocupados devido ao aumento de casos de enfermidades ligadas à tala, cuja venda e aquisição tornou-se bastante recorrente em alguns mercados informais de Luanda, principalmente no Beco-7, localizado no mercado dos Kwanzas e no mercado do Kikolo.
Em entrevista ao Na Mira do Crime, Mamã Mónica, vendedora de medicamentos tradicionais no mercado dos Kwanzas, avançou que a chamada Tala é uma espécie de infecção que afecta os tecidos da pele, promovida por alguém que recorre a práticas de feiticismo.
"Existem muitos tipos de tala e os preços variam entre 10 e 15 mil kwanzas, não há preço definido. A mais perigosa é a tala seca, porque só é descoberta quando já está em estado avançado", descubriu.
A senhora explicou que, depois da aquisição do produto, alguns compradores são orientados a seguir um ritual feito no interior de alguns quintais próximos ao mercado dos Kwanzas.
"Para matar alguém, é só trazer o nome dele, faz um ritual dentro destas casas e depois leva mais um pó para colocar na porta da casa ou quintal do mesmo. É suficiente", explicou Dona Ornelá, uma das vendedeiras da famosa tala.
Andréa, moradora do bairro da Boa Esperança, no Kikolo, disse ter passado por momentos difíceis, depois de ser diagnosticada com tala na perna.
"Aquilo começou com um pequeno furúnculo na perna, por tanto coçar, criou uma inflamação e tive que ir ao hospital, os médicos disseram que era uma celulite, mas alguém alertou-me que se tratava de tala", contou.
Disse que no princípio não acreditou, mas um dos enfermeiros também alertou a sua mãe, daí que essa levou-a numa "igreja espiritual" onde foi curada. Alegou, por outro lado, que a tala terá sido atirada por um suposto chefe, por não aceitar ficar com ele.
"A perna começou a travar e de repente inflamou, andamos em muitos hospitais. Quando alguém disse que era tala, fomos a uma senhora que trata. Saiu muita coisa na perna, até lâmina e prego, mas graças a Deus o cheiro passou e a perna também está curada", agradeceu.
Uma vendedeira de artigos de escritório num dos armazéns do município do Hoji-ya-Henda, defende que medidas devem ser tomadas para que se coloque um fim na venda destes medicamentos 'mortais'.
"Só não acredita quem não passou por esta doença. As dores que provoca são horríveis, o Ministério da Cultura, em união com outras entidades, como os Sobas, devem juntos trabalhar para por fim à venda deste mal", exigiu.
Em conversa com um espiritualista da Igreja de Mfumo Kimbango, localizada nos Kwanzas, adiantou que a tala é uma doença espiritual e só quem está ligado com o mundo espiritual tem o poder de curar a enfermidade.
"O tempo para cura depende de Deus. Tenho recebido várias pessoas com diferentes tipos de tala: seca, de elefante e outros tipos. E, como podem ver, os pacientes que se encontram ali sentados encontram-se no tratamento e já em estado de melhoria, porque eles chegaram aqui com problema grave, mas já estão a ser tratados", garantiu.
O terapeuta contrariou a ideia de que o Beco-7 seja o principal ponto de aquisição do medicamento.
"Hoje em dia não é só nos Kwanzas onde se compra. Posso dizer que 80 por cento sai dos Kwanzas, mas agora também já é vendido em muitas praças de Luanda e em outras províncias", desvendou.







