Familiares de cidadão detido no Sequele acusam polícia de detenção ilegal e de ter consumido bebidas e bolachas encontradas na cantina, porta-voz da PNA rebate acusações e diz que o detido faz parte de uma associação criminosa
Um cidadão que atende pelo nome de Benvindo Mayidi Pedro, de 48 anos de idade, foi detido na madrugada de sábado pelos agentes da Polícia Nacional do Baia, acusado de fazer parte de uma associação criminosa, por encontrarem em sua casa alguns meios supostamente roubados. No entanto, o acusado nega todas as acusações, alegando que os bens encontrados fazem parte do seu negócio exercido em uma cantina, onde os efectivos que o detiveram consumiram bebidas e comeram bolachas.
Por: Solange Figueira
Familiares do acusado contam que tudo aconteceu no município do Sequele, Bairro Kilómetro 30, à uma hora da manhã de sábado. Dizem que a detenção é ilegal pelo facto de o mesmo ser comerciante e ter consigo vários produtos. Dizem também que os agentes do Baia fizeram vistoria na casa de Benvindo com o pretexto de que estavam à procura de uma arma de fogo e estupefacientes (liamba).
Segundo Maria Yolanda, esposa do acusado, os agentes do Baia, antes de deterem o seu marido, consumiram toda bebida que encontraram na arca, inclusive comeram bolachas que estavam na cantina. Como se não bastasse, pediram 50 mil Kwanzas que não foram dados.
"Bateram na minha porta, dizendo que era a polícia. Nós não abrimos por medo, pensamos que eram bandidos disfarçados. Eles arrombaram a porta da marquise e entraram por baixo da porta. Nos falaram que estavam à procura de armas e drogas, revistaram toda a casa, não encontraram nada, mesmo assim, consumiram os produtos", revelam.
E disse mais: "O carro deles avariou na nossa porta, e o meu marido ainda teve que ajudar a empurrar o carro", contou, defendendo que o seu marido não é gatuno, é apenas um comerciante, nunca vendeu drogas e não tem armas em casa.
Henriques Manuel, irmão mais velho do acusado, conta que tudo não passa de uma calúnia feita pelos vizinhos do seu irmão. "Meu irmão nunca vendeu liamba, ele vende garrafas e tem uma cantina em casa. A revista que eles fizeram era para encontrar a arma, porém levaram de casa 4 TVs plasmas, uma eletrobomba, dois geradores, uma máquina de serralharia, uma botija, dois fogões e dois gravadores. Estes meios não são roubados, são dele e da esposa dele", advogou, referindo que o seu irmão estava preso na Esquadra do Baia, mas nesta segunda-feira foi transferido para a Esquadra do Sequele.
"Queremos que ele seja solto. Se o problema da polícia era encontrar arma, ele não tinha arma em casa, não tinham que lhe prender. Pedimos por justiça", rogaram.
A nossa equipe de reportagem falou com o porta-voz da Polícia da Província do Icolo e Bengo, Intendente Euler Matari, que disse que o cidadão em causa foi transferido para o Comando Municipal do Sequele. "O acusado está detido por fazer parte de uma associação criminosa, por guardar meios roubados dentro de casa. A detenção do mesmo deu-se através de uma investigação feita pelos operacionais da Esquadra do Baia. Na mesma noite, para além dele, foram detidos vários criminosos que, posteriormente, serão ouvidos e apresentados ao Ministério Público", garantiu.







