Perto de 50 mil ex-militares ameaçam sair às ruas se o Executivo não colocar fim aos 23 anos de espera pela desmobilização
Quando se pensava que o processo estava já concluído há anos, eis que um número considerável de ex-militares, principalmente das extintas FAPLA (braço armado do MPLA) e das extintas FALA (braço armado da UNITA), em carta enviada ao Na Mira do Crime dizem que não foram desmobilizados e nem estão inseridos no Instituto de Segurança Social das FAA, o que está a provocar transtornos nas suas vidas. Eles dizem que fazem de tudo para sobreviver, incluindo batendo a porta do alto mandatário da Nação a quem pedem uma intervenção urgente, sob pena de promoverem vagas de manifestações na capital do país.
Por: Lito Dias
Eles dizem que o número até pode passar os 50 mil efectivos, desde oficiais superiores aos soldados, que reprovam o alegado tratamento desigual daqueles militares "que trouxeram a paz".
Na carta dirigida ao Chefe de Estado Maior General das FAA, em posse deste jornal, os subscritores dizem que na reunião dos ex- militares não desmobilizados há 23 anos, estes decidiram que se o Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço não atender a sua solicitação, prometem sair às ruas nos próximos dias, "o que o Governo devia evitar".
"É inaceitável num país como Angola, pessoas que lutaram pela paz no país e alguns por esta independência que hoje dá o Show dos 50 anos; aqueles que estiveram sempre na linha da frente com sol, chuva, tempestade, fome e seca, não sejam reconhecidos pelo Presidente João Lourenço, pelo Chefe do Estado Maior General das FAA e pelo Ministro da Defesa", consideram, pedindo que sejam mais humanistas e confiram mais dignidade às pessoas.
UM NÓ DIFÍCIL DE DESATAR?
Na carta referenciada, os oficiais superiores, capitães, subalternos e soldados, maioritariamente das ex- Forças Militares da UNITA (FMU) lembram que estão a agir, tendo em consideração o n°1/93 do regulamento militar em vigor e nos termos da autorização legislativa concedida pela resolução n°8/94 de 17 de Junho da Assembleia Nacional e ao abrigo do artigo 113° da Constituição que permitiu ao governo decretar o sistema de segurança social das Forças Armadas Angolanas, quanto ao tratamento a dar ao dossier dos efectivos das ex- FMU.
"Havendo, até ao momento, oficiais superiores, capitães, subalternos e soldados, que até à presente data não foram desmobilizados, pedimos à sua excelência no sentido de interceder para vermos se esse processo termina e os que têm direito às pensões de reforma convém a usufruir", dizem na carta.
Alertam que não estão a inventar nada. Aliás, está plasmado no Despacho Presidencial n°3/09 de 06 de Julho de 2009.
"Infelizmente, continuamos a ter um número elevado de militares não abrangidos e, por conseguinte, privados dos seus direitos que poderiam lhe proporcionar um certo alento social para uma vida condigna".
Os ex-militares dizem que já lhes foi exigida muita documentação, ao ponto de lhes pôr à vontade, porque davam garantias de que tendo tudo sido tratado, deviam apenas esperar pelo aval do Presidente da República.
Famílias desintegradas, filhos na delinquência, morte por falta de medicamentos: eis um dos cenários que cada um dos 04 ex-militares ouvidos por este Jornal apresentaram.







