No Calumbo: kuduristas K2 e Tuga Agressiva acusados de apropriar-se de um espaço na feira da Vida Pacífica
O cidadão Armando Gabriel acusa os kuduristas António Germano, conhecido pelo público como "K2", e Niria Freitas, conhecida como "Tuga Agressiva", de usurparem um espaço de 5 hectares, com o apoio da administração municipal do Calumbo, situado por detrás da Centralidade Zango-0.
Por: Solange Figueira
O denunciante alega que o terreno está a ser invadido desde 2020, quando o Zango era distrito do município de Viana. "Puseram várias tendas no terreno, que depois veio a transformar-se em uma feira, chamada Feira da Vida Pacífica", disse.
Aponta também o kudurista Bruno M como o primeiro invasor, mas que preferiu abandonar o espaço assim que percebeu que o terreno tinha dono.
Já em 2022, passou a se chamar "Feira dos Kuduristas". Os cantores K2 e Tuga Agressiva, com o apoio da Administração do Calumbo, passaram a estar à frente do projecto como responsáveis pela feira, onde estão a construir lojas e bares.
Segundo Armando Gabriel, denunciante, o terreno é uma herança familiar, dado pela sua avó Cristiana Júlia Samunconguela, que vivia no Luena e se deslocou para a província de Luanda devido à guerra.
"A minha avó tem este espaço desde 1993, antes de existirem os Zangos. Na altura, eu era pequenino e isso era uma lavra. Quando fizeram a centralidade, tiraram algumas pessoas e as indemnizaram, mas a minha avó não foi abrangida e continuou a cultivar no local. Ela tinha a sua lavra aí. Depois, apareceu um chinês que colocou um estaleiro no espaço e fez um contrato com a minha avó de que ele devia explorar e deixar a estrutura para nós", lembrou.
Em 2019, acrescentou, encontraram várias tendas no terreno e foram ter com o antigo administrador Euclides, que assegurou que as tendas eram provisórias e que as vendedoras sairiam a qualquer momento. "Pagamos todos os emolumentos e legalizamos o espaço", sublinhou, adiantando que em 2022, os kuduristas começaram a construir lojas e bares.
"Fomos para a área técnica do município de Viana e a fiscalização notificou as pessoas que estavam a fazer as obras de que não tinham documentos. Mas estes alegavam que quem lhes deu o terreno foi a administração", relatou, acrescentando que, em 2023, abriram uma queixa-crime e falaram com o administrador Demétrio, de Viana.
"As obras evoluíram enquanto ele dizia que estava a resolver. A minha avó pôs um contentor no terreno com materiais de construção, mas apareceu uma senhora chamada Conceição que desapareceu com o nosso contentor", narraram, lembrando que a Tuga Agressiva e o K2 estão a ser usados pela administração de Calumbo, e eles estão à frente de tudo. Agora dizem que o terreno lhes foi dado pela Senhora Conceição.
As obras que o chinês deixou para a anciã foram vandalizadas. Dizem que estão a usar os kuduristas para usurpar o terreno e estão a fazer obras ilegalmente, sem licença de construção.
"Pedimos encarecidamente ao Governador de Luanda que nos ajude. Queremos o nosso terreno de volta", imploraram.
A nossa equipa de reportagem entrou em contacto com os cantores K2 e Tuga Agressiva, que alegam que o terreno não tem dono particular por estar dentro da Centralidade Vida Pacífica, no Zango l-0. Portanto, é um terreno do Estado.
Tuga Agresdiva foi mais longe e disse que se alguém, em particular, disser que o terreno é dele, terá que ser dono também da Centralidade Vida Pacífica. “Estou aqui desde o tempo em que não tinha nada, era capim, vendíamos nas tendas, é um espaço deixado por empreiteiros chineses para acabarem de fazer os prédios da centralidade. Os documentos que o suposto dono mostra são aqueles que qualquer burlador mostra", apontou, reiterando que não usurparam terreno nenhum, por ser do Estado.
"Estamos aqui desde 2020; eu e o K2 não temos competências para sermos donos deste terreno, temos de ser justos", reconheceu, aclarando que o administrador é novo, logo não tinha como ceder um que já existia.
"Vendíamos na estrada, era mata, capim e lixo, temos as fotografias. Nos tiraram da estrada e nos meteram aqui. Todos os invasores que aparecem dizem que são camponeses, porém não são. Fomos pedir este terreno, legalizamos uma cooperativa multi-sectorial, tudo pelo Kuduro.
Agressiva acusa os denunciantes de estarem a sujar o nome do administrador de Calumbo. "O denunciante deve provar; de contrário, vamos abrir um processo-crime contra ele. Não estamos a invadir espaço de ninguém", ameaçou.







