Grito de socorro no Hospital Divina Providência: Pacientes reclamam da escassez da segunda dose de medicamentos para o tratamento da tuberculose
A tuberculose é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis. Ela afecta principalmente os pulmões, mas pode afectar outros órgãos. É uma doença grave, mas pode ser prevenida e tratada em duas fases. A primeira fase intensiva dura 2 meses e é tratada com os seguintes medicamentos: rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol. A segunda fase é a de manutenção, que dura 04 meses, e os medicamentos mais procurados e, por isso, em falta são: rifampicina e isoniazida. No entanto, é esta segunda dose que está a faltar aos doentes assistidos no Hospital Divina Providência, em Luanda
Por: Solange Figueira
Denunciantes alegam que têm recebido os medicamentos nos hospitais, gratuitamente, mas devido à escassez e à gravidade da doença, estão a comprar os medicamentos nas farmácias no valor de 7 mil kwanzas. Nos mercados dos Kwanzas e do km 30, os medicamentos podem ser encontrados a 6 mil Kwanzas, um valor que não está ao alcance de todos.
Segundo Carlos Daniel, um dos pacientes de tuberculose, há dois anos, fez tratamento no Hospital Divina Providência e ficou curado, mas a doença voltou. "Sempre recebi os medicamentos gratuitamente nos hospitais, mas há 3 meses que estou a comprar na rua a um preço muito alto. Ontem, passei o dia todo a procurar o medicamento e está muito difícil de encontrar. Nem todas as farmácias vendem. Encontrei-os numa farmácia na Estalagem a 7 mil kwanzas, um preço muito alto. Já imaginaram quantas pessoas não têm possibilidades de comprar?", questionou, salientando que o mais agravante é que uma lâmina só faz no máximo 4 a 5 dias, depois o paciente tem que voltar a comprar e não parar de tomar.
"Essa é uma doença muito perigosa e mata muito rápido quando não é combatida", advertiu ao mesmo tempo que pede a intervenção da Ministra da Saúde para salvar as vidas em risco.
Amilton Jamba, irmão de um dos pacientes, diz que não é a primeira vez que o Hospital Divina tem escassez dos medicamentos da segunda fase da tuberculose. "Este hospital sempre teve dificuldades destes medicamentos. Quando têm, nunca chegam para todos. Agora, já não estão a dar a ninguém. No mês passado, a minha tia comprou no mercado informal a 6 mil cada lâmina. Neste mês, eu comprei a este preço, também. No dia em que fui procurar os medicamentos, encontrei uma senhora que estava a procurar também para a filha dela. Ela só tinha 2 mil kwanzas, o dinheiro foi insuficiente. Me disse que comprava a este preço e que o medicamento está sempre a subir. A nossa reclamação vai para o Ministério da Saúde. Têm que resolver este problema com a máxima urgência. Os hospitais não têm culpa por esta escassez", assinala.
Maria Coelho, paciente, também apela à Ministra da Saúde no sentido de repor o normal abastecimento dos medicamentos.
"É importante resolverem esta situação o mais rápido possível. Quando tomei a primeira dose, estava a melhorar. Com a falta da segunda dose, estou a regredir. Estou com muita febre, dor do peito, estou a suar muito de noite e me sinto muito cansada. A falta deste antibiótico pode causar a minha morte", disse.
Ela sabe que o tratamento é muito longo, mas disse não ter dinheiro para comprar os medicamentos nas farmácias. "Estou com medo de morrer por não estar a fazer a medicação há 2 meses", manifestou.







