Vendedores e taxistas acusam fiscais do mercado do 30 de venderem seus espaços a empresas desconhecidas
Taxistas e vendedores de acessórios de peças de motorizadas, que vendem por detrás das vendedoras de botijas de gás butano, acusam a administração do mercado do 30 de querer retirá-los dos seus espaços, sem aviso prévio e sem cederem outro local para a venda; tudo isso em benefício de empresas desconhecidas.
Por: Solange Figueira
O denunciantes alegam que estão a ser retirados dos seus espaços, pelo chefe dos fiscais do mercado identificado por Senhor Sete e pelos seus adjuntos identificados por Bk e Champinhon, a mando de uma senhora Identificada por Doutora Amélia, com o objectivo de beneficiarem empresários que terão pago algum dinheiro por tais espaços adquiridos pelos vendedores a preços que variam entre 500 mil e um milhão de Kwanzas.
De acordo com o Senhor Edson, vendedor de peças de motorizadas, não é a primeira vez que tal facto ocorre; muitos vendedores foram retirados dos seus espaços, onde posteriormente foram construídos armazéns, lojas e bancos comerciais.
"Estamos a vender aqui há mais de 10 anos, pagamos todas as taxas diárias que os ficais pedem. Agora, eles querem nos retirar para vender os nossos espaços às empresas, como de costume", informaram, salientando que "há algumas pessoas que foram retiradas dos seus espaços que, depois, foram vendidos a essas empresas detentoras de armazéns e lojas". O mais constrangedor nisso tudo é que os vendedores não foram previamente avisados, nem lhes foi dado outro espaço para exercerem a sua actividade.
"Esses lugares não nos foram cedidos de graça; tivemos de pagar o valor já mencionado", sublinham, referindo que nas últimas duas semanas, os fiscais têm aparecido para ameaçar os vendedores.
Dizem que, antes, a contenda envolvia a polícia do Baia, agora é com a polícia da Pocoyo, que realiza sempre patrulhas nos espaços visados. Diante desta situação, os vendedores lançam o grito de socorro às autoridades, no sentido de se pôr cobro à situação, cuja prevalência pode afectar negativamente muitas famílias.
Antónia Pedro, vendedeira, diz que vende peças de motorizadas, desde 2009, na época não existiam lojas; comercializavam nas bancadas. Fica perplexa quando vê os fiscais a manterem o hábito de venderem os espaços sem avisar aos donos. Reforça que têm clientes fixos, logo a sua saída desses espaços (dos vendedores e taxistas) não pode ser feita de qualquer maneira. Aliás, lembra que num dos espaços que era uma paragem de taxistas, já estão a ser construídos armazéns.
Edson Mateus, vendedor de peças de motorizadas, conta que não é a primeira vez que tal facto acontece é mesmo às autoridades sabendo dessas falcatruas, nada fazem. "Estamos a vender aqui há mais de 10 anos e pagamos todas as taxas diárias que os fiscais pedem", reiterou, enfatizando que compraram os lugares, não foram dados de graça.
Victor Tomás, taxista, lembrou que a situação é "deveras" constrangedora que, no ano passado, morreram três vendedores de hipertensão, depois de serem retirados dos seus lugares à força. "Fomos retirados à força do espaço em que lotávamos os táxis e nos puseram em outro local que, quando chove, não teremos como trabalhar, porque inunda muito", referiu, clarificando que, neste momento, reina o sentimento de revolta entre taxistas e vendedores.
Alguns moradores e cobradores assumem-se como tendo deixado o mundo do crime, depois de encontrarem emprego com os "azuis e brancos". "Éramos marginais, mas hoje temos emprego fixo. Será que querem que nós voltemos a roubar?", questionam.
A nossa equipa de reportagem entrou em contacto com os fiscais acusados, identificados por Bk e Champinhon, mas estes, visivelmente furiosos, mostraram-se indisponível a falar.
Em nome do mercado falou o Senhor Orlando Cayeye, conhecido por todos no mercado como Sete, que se apresentou como adjunto da gestora do mercado, Senhora Amélia. "Recebemos vários pedidos de empresários que querem empreender no mercado, os bancos também, porque o mercado será asfaltado. Não estamos a usurpar nenhum espaço, estamos apenas a mudar os lugares, o que acontece há vários anos. Todos os mercados fazem isso", explicou.
O mercado está a ser gerido por uma comissão de gestão, cuja coordenadora principal é a Doutora Amélia. O administrador anterior, Senhor Cardoso, foi afastado pelo governador por alegar que o mercado fazia 45 milhões de Kwanzas mensais, o que não era verdade. No final de Julho, arrecadamos mais de 130 milhões de Kwanzas", revelou.
Disse ainda que o problema da paragem dos taxistas é que os lotadores estão a fazer confusão. "Já lhes demos outros espaços, mas mesmo assim não querem. Os vendedores sabem que, quando a administração muda o local, eles têm de aceitar. Não vão ficar sem os espaços, vão apenas mudar de um lado para o outro", esclareceu.







