Caso "Hotel Diamond Black"- Tribunal Dona Ana Joaquina iniciou o julgamento de 35 cidadãos acusados de diversos crimes económicos
O Tribunal Dona Ana Joaquina deu início, na manhã desta quinta-feira, 18, o julgamento do caso "Hotel Diamond Black", onde são arguidos 35 cidadãos, dos quais 11 de nacionalidade chinesa, um de nacionalidade ugandesa e 20 de nacionalidade angolana, acusados pelo Ministério Público dos crimes de prática ilícita de jogos, coação à prática de jogos fraudulentos, falsidade informática, associação criminosa, branqueamento de capitais, retenção de moeda, fraude fiscal qualificada, e obstrução à justiça.
Por: Cambundo Caholua
A informação foi avançada pelo Conselho Superior da Magistratura Judicial (CSMJ), dando conta do julgamento do processo n° 811/25-D, publicamente conhecido como o caso "Hotel Diamond Black".
Os factos ocorreram em Outubro de 2024, quando o Serviço de Investigação Criminal (SIC) deteve um grupo de nove cidadãos chineses e um ugandês, que, instalados no Hotel Diamond Black, situado no bairro Kifica, no distrito Urbano do Benfica, se dedicavam à prática de jogos ilícitos, fishing, extorsão, chantagem e burlas, dentre outros, através da rede social WhatsApp.
Na altura, o hotel, que parecia estar encerrado, foi equipado com material informático e transformado num "quartel-general" de embustes.
Os actos ilícitos incluíam a criação de perfis falsos para conseguir amizades com cidadãos portugueses bem posicionados e obter destes o número do WhatsApp para o fishing, uma técnica de engenharia social usada para enganar usuários de internet, usando a fraude electrónica para obter informações confidenciais, como nome de usuário, senha e detalhes do cartão de crédito.
Extorquiam e burlavam cidadãos mediante o acesso a chamadas, através da mesma plataforma e de vídeo-chamadas.
As actividades de jogos eram direccionadas a cidadãos brasileiros, que eram persuadidos a aderir a uma plataforma de jogos designada por LNBet, mediante a promessa de recebimento de bónus em dinheiro pela adesão.
As manobras eram realizadas em várias salas que compõem o referido hotel, sendo que os ardis (ferramentas de armação) eram utilizados pelos trabalhadores do esquema gerido pelos nove chineses e pelo cidadão ugandês.
Numa das salas, equipada com apenas um computador, os burlões recorriam à inteligência artificial para mudar os rostos das funcionárias da empresa para as tornarem mais atraentes durante a interacção em vídeo-chamadas, sobretudo com cidadãos portugueses, que aceitavam amizades no Facebook.
Por essa via, sofriam vários golpes como burlas e acesso ilegítimo às suas contas bancárias.







