Tribunal da Comarca de Luanda adiada julgamento de cidadãos chineses, ugandês e angolanos por falta de intérpretes
A primeira sessão do julgamento do processo n° 811/25-D, conhecido como "caso Hotel Diamond Black" acusados pelo Ministério Público pelos crimes de prática ilícita de jogos, coação à pratica de jogo e jogo fraudulento, falsidade informática, associação
criminosa, branqueamento de capitais, retenção de moeda, fraude fiscal qualificada e obstrução à justiça, que estava prevista para às 09 horas desta quinta-feira, 18, foi adiada por falta de intérpretes que não se fizeram presente na sala de julgamento.
Por: Cambuta Vieira
Marcada para às 09 horas, a audiência apenas começou às 12 horas e 15 minutos, momento depois de o juiz de direito, Joaquim Salombongo, em concordância com o pleito de juízes e o Ministério Público, representado por Belchior José, deferiu que o tribunal constatou a ausência de intérprete da língua chinesa, apesar de serem devidamente notificados, e os mandatários judiciais foram unânime em promover o adiamento do julgamento.
Aníbal Fernando, mandatário judicial dos cidadãos chineses, disse que enquanto a defesa espera que o tribunal seja fiel aos factos, julga conforme os autos, aqueles que não têm culpabilidade nenhuma sejam absolvidos e aqueles que o tribunal entender que têm alguma culpa ou que devem merecer de determinada medida, o tribunal tome em conta.
"Nós recorremos do excesso de prisão preventiva nos primeiros meses de detenção, mas o tribunal entendeu não haver excesso de prisão, podemos não concordar, mas devemos respeitar essa posição", frisou.
"Nesse momento estamos em audiência, é o primeiro dia, estamos dentro do prazo, apartir do próximo mês se não terminamos, aí teremos excesso, desde que o tribunal leva mais mais tempo", observou.
Do lado de fora, era visível os choros e lamentações por parte das famílias, que não conseguiram entrar na sala de audiência, por está ser pequena, e alegam que os seus parentes eram apenas meros trabalhadores, e estão detidos inocentemente, e são acusados de crimes que não cometeram.
"O meu filho tem 36 anos de idade, estava a prestar o serviço de publicidade no hotel apenas há dois meses, quando foi interpelado e detido pelos efectivos do Serviço de Investigação Criminal, em momento algum estava ligado a práticas ilícitas", disse um familiar.
São arguidos no processo um total de 35 cidadãos, sendo 11 de nacionalidade chinesa, 1 de nacionalidade ugandesa e 20 de nacionalidade angolana.
De relembrar que os factos sucederam em Outubro de 2024, quando o SIC deteve um grupo de nove cidadãos chineses e um ugandês, que, instalados no Hotel Diamond Black, situado no bairro Kifica, no distrito do Benfica, se dedicavam à prática de jogos ilícitos, fishing, extorsão, chantagem e burlas através da rede social WhatsApp.
Os actos incluíam a criação de perfis falsos para conseguir amizades com ‘cidadãos portugueses bem posicionados’ e obter destes o número do WhatsApp, para fishing — uma técnica usada para enganar usuários de Internet, usando a fraude electrónica para obter informações confidenciais como nome de usuário, senha e detalhes do cartão de crédito, extorsão e burlas mediante o acesso a chamadas através da mesma plataforma e de vídeo-chamadas.
Numa das salas, equipada com apenas um computador, os burlões recorriam à inteligência artificial para mudar os rostos das funcionárias da empresa para as tornar mais atraentes durante a interacção em vídeo-chamadas, sobretudo com cidadãos portugueses, sofriam vários golpes como burlas e acesso ilegítimo às suas contas bancárias.
A próxima sessão de julgamento está marcada para o dia 06 de Outubro do corrente ano.







