Menor de 13 anos baleada na coluna durante a greve dos taxistas está paralisada e precisa de quase tudo, tia que cuida da menina pensa em cometer suicídio por tanto sofrimento
Uma adolescente de nome Helena Daniel, de 13 anos de idade, residente no bairro da Vidrul, município do Sequele, província do Icolo Bengo, foi baleada no passado dia 28 de Julho do ano em curso, no segundo dia da greve dos taxistas que evoluiu para tumultos, quando se encontrava na via pública.
Por: Cambuta Vieira
A menor sofre de perturbações mentais desde tenra idade, segundo explicação da sua tia, Arminda Carlos.
Sempre que ouvia algum barulho, saía para a rua e, em alguns casos, chegava a permanecer mais de cinco horas fora de casa.
No passado dia 28 de Julho, ao ouvir barulho proveniente da rua, resultante de actos de vandalização, Helena decidiu sair para ver o que se passava, horas depois, foi atingida por um disparo de arma de fogo, alegadamente efectuado por um agente da Polícia Nacional, sendo que o projétil atingiu a região da costela e a coluna vertebral, provocando paralisia dos membros inferiores.
"Assim que ela caiu, foi socorrida pelos vizinhos até ao Hospital Municipal de Cacuaco, dada a gravidade, foi transferida de ambulância para o Hospital Heróis de Kifangondo, no município do Sequele, onde foi submetida a uma cirurgia para a retirada da bala e ficou internada por duas semanas”, contou a tia.
Actualmente, Helena não sente nada da cintura para baixo, nem quando precisa fazer as necessidades biológicas maiores ou menores, assusta-se apenas quando já está suja de fezes ou molhada de urina.
A tia relatou que é solteira e teve de deixar de vender para cuidar da sobrinha, confessa já não saber o que fazer, alegando que a menor depende totalmente dela, e pede encarecidamente ajuda das autoridades governamentais e da sociedade.
“Precisamos de quase tudo, como podem ver pela situação precária em que vivemos”, lamentou.
Disse que, desde que a adolescente recebeu alta hospitalar, já foi gasto mais de 200 mil kwanzas apenas com curativos e descartáveis.
"Às vezes ela passa o dia todo sem comer, porque não temos por onde tirar, eu choro dia e noite, sou pai e mãe ao mesmo tempo”, lagrimou.
Nos últimos dias, surgiram feridas nas pernas, coxas e ânus de Helena. O aparecimento dessas lesões agrava ainda mais a situação, pois é necessário comprar antibióticos.
“Às vezes penso em cometer suicídio de tanto sofrimento, peço às pessoas de boa fé, à sociedade civil e aos empresários que nos ajudem. Precisamos de uma cadeira de rodas, descartáveis e alimentação”, chorou a tia.
Arminda Carlos contou ainda que, quando Helena tinha apenas dois anos de idade, foi agredida com um ferro na cabeça pelo padrasto. Mesmo ferida, foi abandonada na vizinhança, que accionou os familiares paternos, o pai da menor encontra-se preso há mais de 10 anos na Comarca de Luanda, condenado por homicídio qualificado.







